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Cientista explica o que torna o som da vuvuzela tão
irritante
Elas são uma das marcas registradas da Copa da África. Não se pode
dizer que chegaram de mansinho e foram conquistando espaço aos
poucos. Não. Elas já chegaram zoando, aos milhares, em coro
desafinado, infernizando os ouvidos de quem está nos estádios e até
de quem assiste aos jogos pela televisão. Mas o que torna o som da
vuvuzela tão irritante? Trevor Cox, presidente do Instituto de
Acústica do Reino Unido e engenheiro acústico da Universidade de
Salford, de Manchester, tem lá sua explicacões, que ganharam
destaque na revista New Scientist.

A vuvuzela é tocada meio soprando, meio vibrando os lábios. O
movimento, diz Trevor Cox, é frenético: os lábios vibram nada menos
que 235 vezes por segundo, enviando ar pelo tubo, e provocando uma
forte ressonância no espaço cônico.
"Uma única vuvuzela, tocada por um músico competente, remete a um
som ancestral, como o de uma trompa de caça. Mas o som é menos
agradável quando ela é tocada por um fã de futebol, já que as notas
são imperfeitas. Além disso, cada torcedor toca com uma intensidade
e frequência diferente, causando uma zoeira, parecida com zumbido de
insetos ou um berro de elefante", explica Trevor.
O som é alto devido ao seu formato cônico. Além disso, por causa do
material que é feita, plástico, a vuvuzela se dilata. "Um
instrumento que se dilata tem harmonias com frequências mais altas
do que um cilíndrico, tipo a flauta", acrescenta Trevor Cox. "É como
o saxofone, com sua boca em forma de cone, que soa mais alto que uma
flauta cilíndrica."
E a danada é barulhenta mesmo. Emite 116 decibéis a uma distância de
um metro, o limite tolerável estipulado pela Organização Mundial de
Saúde é de 80 decibéis. A exposição prolongada à vuvuzela apresenta
risco à audição, de acordo com um estudo do Departamento de
Patologia da Comunicação da Universidade de Pretória, África do Sul.
"Se ouvirmos apenas um instrumento por um período entre sete e 22
segundos, ultrapassamos os níveis típicos permitidos de barulho no
trabalho, por exemplo", ilustra o cientista britânico. "Uma multidão
produz níveis ainda mais altos, e medições em um treino revelaram
perda de audição temporária entre os espectadores", finaliza o
pesquisador.
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