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O Sol deve entrar em período turbulento em 2011
O próximo ano será marcante para o clima no Espaço, pois o Sol
despertará de uma fase de baixa atividade, dando início a um
anunciado período de turbulência, possivelmente destrutivo. Muitas
pessoas podem se surpreender ao saber que o Sol, ao invés de queimar
com uma consistência ininterrupta, oscila em momentos de calmaria e
agitação.

Mas após dois séculos de observação das manchas solares - marcas
escuras, relativamente frias na superfície do Sol, vinculadas com
poderosas forças magnéticas - revelaram que a nossa estrela obedece
a ciclos de comportamento de cerca de 11 anos.
O último começou em 1996 e por motivos que ainda permanecem
obscuros, levou mais tempo que o previsto para terminar. Agora, no
entanto, há cada vez mais indícios de que o Sol está deixando o seu
torpor e intensificando sua atividade enquanto avança para aquilo
que os cientistas convencionaram chamar de "Solar Max" ou clímax
cíclico, afirmaram especialistas.
"A última previsão indica meados de 2013 como a fase pico do ciclo
solar", antecipou Joe Kunches, do Centro de Previsões do Clima
Espacial da Nasa. Mas há um período prolongado de alta atividade,
"mais como uma estação, com duração de cerca de dois anos e meio"
para cada fase do pico, alertou.
Em seu período mais intenso, o Sol pode lançar ondas de radiação
eletromagnética e matéria carregada conhecida como ejeções de massas
coronais (CMEs). Esta onda de choque pode levar alguns dias para
alcançar a Terra. Quando chega ao nosso planeta, condensa seu campo
protetor magnético, liberando energia visível em altas latitudes na
forma de auroras boreal e austral - as famosas Luzes do Norte e do
Sul.
Mas as CMEs não são apenas belos eventos. Elas podem desencadear
descargas estáticas e tempestades geomagnéticas capazes de romper ou
até mesmo causar pane na infraestrutura eletrônica da qual depende
nossa sociedade urbanizada e obsecada por se manter conectada.
Menos temidos, porém igualmente problemáticos, são os flares solares
ou erupções de prótons supercarregados que alcançam a Terra em
questão de minutos. Na linha de frente estão os satélites de
telecomunicações em órbita geoestacionária, a uma altitude de 36 mil
km, e os satélites do Sistema de Posicionamento Global (GPS), dos
quais dependem os aviões e os navios modernos para navegação e que
orbitam a 20 mil km.
Em janeiro de 1994, descargas de eletricidade estática provocaram
uma pane de 5 meses no satélite de telecomunicações canadense Anik-E2,
uma falha que custou 50 milhões de dólares. Em abril de 2010, a
Intelsat perdeu o Galaxy 15, usado no serviço de comunicações na
América do Norte, depois que o link com o controle de solo foi
cortado, aparentemente devido à atividade solar.
"Estas são falhas totais nas quais todos nós pensamos", disse
Philippe Calvel, engenheiro da empresa francesa Thales. "Ambas foram
causadas por CMEs", emendou. Em 2005, raios-X de uma tempestade
solar cortaram a comunicação entre o satélite e o solo e os sinais
de GPS por cerca de 10 minutos.
Para dar conta da fúria solar, projetistas de satélites escolhem
componentes robustos, testados e experimentados, bem como proteção
para o equipamento, mesmo que isto o deixe mais pesado e volumoso, e
portanto mais caro de se lançar, disse Thierry Duhamel, da
fabricante de satélites Astrium.
Outra precaução é a redundância, isto é, ter sistemas de backup para
casos de mau funcionamento. Na Terra, linhas de transmissão,
conexões de dados e até mesmo oleodutos e gasodutos são
potencialmente vulneráveis.
Um alerta remoto de risco remonta a 1859, quando a maior CME já
observada ocasionou auroras avermelhadas, roxas e verdes mesmo em
latitudes tropicais. A então recém-desenvolvida tecnologia do
telégrafo enlouqueceu. Correntes induzidas geomagneticamente nos
cabos deram choques em operações de telégrafos chegaram a incendiar
os telegramas.
Em 1989, um fenômeno bem mais sutil cortou a energia do gerador da
canadense Hydro Quebec, provocando um blecaute de nove horas que
afetou seis milhões de pessoas. "Há muito o que desconhecemos sobre
o Sol. Mesmo no suposto declínio ou fase de calmaria, podemos ter
campos magnéticos no Sol que são muito concentrados e energizados
por um tempo, e podemos ter atividade eruptiva atípica. Para
resumir, temos uma estrela variável", concluiu Kunches.
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