Cientistas: "quando pensam que estão
certos", descobrem que estão errados
Uma equipe de astrônomos europeus utilizou o Very Large Telescope
(telescópio muito grande, em tradução livre) do ESO - o VLT - para
descobrir uma estrela na Via Láctea que muitos pensavam não poder
existir.

Os astrônomos descobriram que esta estrela é composta
quase inteiramente por hidrogênio e hélio, com quantidades
minúsculas de outros elementos químicos. Esta intrigante composição
química coloca a estrela na chamada "zona proibida" dentro da teoria
de formação estelar mais aceita, o que significa que esta estrela
nunca deveria ter se formado. Os resultados serão publicados na
revista Nature na quinta-feira.
Uma estrela de baixa luminosidade situada na constelação de Leão
mostrou possuir a menor quantidade de elementos mais pesados que o
hélio do que todas as estrelas estudadas até hoje. Este objeto
possui uma massa menor que a do Sol e tem provavelmente mais de 13
bilhões de anos de idade.
"Uma teoria muito aceita prediz que estrelas como esta, com pequena
massa e quantidades de metais extremamente baixas, não deveriam
existir porque as nuvens de material a partir das quais tais objetos
se formariam nunca poderiam ter se condensado", disse Elisabetta
Caffau, autora principal do artigo científico que descreve estes
resultados. "É surpreendente encontrar pela primeira vez uma estrela
na 'zona proibida'. Isto significa que teremos que verificar alguns
dos modelos de formação estelar".
A estrela é tênua e tão pobre em metais que um único elemento mais
pesado que o hélio - o cálcio - foi identificado nas primeiras
observações. Os cosmólogos acreditam que os elementos químicos mais
leves (hidrogênio e hélio) foram criados pouco depois do Big Bang,
juntamente com um pouco de lítio, enquanto que a maioria dos outros
elementos foram posteriormente formados nas estrelas.
As explosões de supernovas espalharam o material estelar para o meio
interestelar, tornando-o rico em metais. As novas estrelas que se
formam a partir deste meio enriquecido possuem por isso maiores
quantidades de metais na sua composição do que as estrelas mais
velhas. Por conseguinte, a proporção de metais numa estrela nos dá
informação sobre a sua idade. "A estrela que estudamos é
extremamente pobre em metais, o que significa que é muito primitiva.
Pode ser uma das estrelas mais velhas já encontradas", acrescenta o
chileno Lorenzo Monaco, que também participou do estudo.
É igualmente surpreendente a falta de lítio na estrela. Uma estrela
tão velha deveria ter uma composição semelhante àquela do universo
pouco depois do Big Bang, com apenas um pouco mais de metais. É um
mistério como o lítio foi destruído neste astro. Os investigadores
também apontam para o fato do corpo provavelmente não ser o único do
tipo.
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