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Área de tremor é considerada de risco;
produtores querem ficar
A Defesa Civil de Minas estabeleceu que a comunidade
rural de Caraíbas, na cidade de Itacarambi (região norte
do Estado), atingida por um tremor de terra, é
considerada de risco. Com isso, os 76 imóveis que
permanecem de pé estão condenados e deverão ser
demolidos, segundo o tenente-coronel Alexandre Lucas,
secretário-executivo do Cedec (Coordenadoria Estadual da
Defesa Civil).
O tremor ocorreu no início da madrugada de domingo (9),
atingiu 4,9 graus na escala Richter, danificou imóveis,
causou a morte da menina Jessiane Oliveira Silva, 5, e
feriu outras seis pessoas. "Os moradores estão proibidos
de retornar", afirmou o tenente-coronel.
Apesar disso, alguns integrantes da associação de
pequenos produtores rurais de Caraíbas pretendem
permanecer no local. Segundo a presidente da entidade,
Regiane Correia, são 68 as famílias que mantêm áreas de
cultivo na comunidade. "É claro que ninguém quer voltar
a morar, mas é mais seguro a gente ir trabalhar e depois
voltar", afirmou. Ela está em uma localidade vizinha,
Várzea Grande, acomodada em casa de parentes.
O tenente-coronel Lucas, do Cedec, afirmou que aguardará
o laudo dos peritos do Obsis (Observatório Sismológico
de Brasília), da UnB (Universidade de Brasília) para
definir se a demolição será de fato realizada.
Segundo ele, o estado dos imóveis deve auxiliar os
técnicos a descobrir onde exatamente ocorreu o abalo.
Ele não quis comentar a proposta da presidente da
associação dos pequenos produtores rurais. Afirmou, no
entanto, não considerar absurda a possibilidade de
permanência dos trabalhadores em suas terras, desde que
não morem mais na área.
Visita
Nesta segunda-feira, o governador Aécio Neves (PSDB)
homologou o pedido de estado de emergência decretado
pelo prefeito do município, José Ferreira de Paula
(DEM). Com o estado de emergência, a administração
municipal pode agir mais rapidamente e contratar
serviços e obras sem licitação, por exemplo.
Aécio esteve em Itacarambi, visitou os moradores que
estão abrigados em uma creche, conversou com alguns e
depois visitou a área atingida pelo tremor. A avó da
menina que morreu no tremor, Jesuína Fiuza Oliveira, 55,
conversou com o governador e pediu auxílio às famílias.
Aécio voltou a garantir que as casas serão reconstruídas
em outra área, à ser definida em parceria com a
prefeitura e governo estadual. Questionado a respeito de
registros de tremor desde maio na região, ele afirmou
que os técnicos não apontaram anteriormente a
necessidade de retirada dos moradores. "Alguns abalos já
ocorreram no passado, mas nada que inspirasse ou
justificasse um terremoto nesse volume. Nós fizemos o
que foi possível fazer", afirmou Aécio.
Também nesta segunda, alguns moradores voltaram às suas
casas com o auxílio da Defesa Civil. Eles retiraram
roupas, documentos e carregavam o que podiam. Entre eles
estão fogão, talheres e até geladeira.
Avaliação
Três técnicos do Obsis começaram nesta segunda a avaliar
o que teria provocado o tremor de terra.
Segundo o professor de sismologia da UnB e responsável
pelo Obsis, Lucas Vieira Barros, os técnicos irão
avaliar as informações disponibilizadas em seis
sismógrafos instalados na região norte do Estado de
Minas. Além disso, eles devem fazer medições locais e
entrevistar os moradores. Outros dois aparelhos devem
ser instalados para monitorar eventuais abalos.
"Não descartamos novos abalos. Vamos tentar identificar
de onde exatamente partiu o sismo e auxiliar a Defesa
Civil no sentido de orientar os moradores da necessidade
de reforço nas residências", afirmou.
Um laudo a respeito das causas do terremoto deve sair
até o final da semana.
Barros afirmou que o terremoto em Minas foi o primeiro
do país a registrar mortes desde o início das medições
feitas pelo observatório, em 1968.
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