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Famílias retiradas de terreno tentam falar com
secretário em SP
Cerca de 70 pessoas que foram retiradas ontem (11) do
terreno da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e
Energia) na zona sul de São Paulo realizam um protesto
nesta quarta-feira em frente ao prédio da prefeitura, no
centro da cidade. O grupo queria ser recebido pelo
prefeito Gilberto Kassab (DEM) e pelo secretário de
Habitação, Orlando de Almeida, para entregar uma pauta
de reivindicações. Por volta das 15h40, aproximadamente
15 pessoas permaneciam no local e tentavam falar com o
secretário.

A retirada de parte dos moradores da favela Real Parque
provocou reflexos no trânsito, ontem. Inconformados com
a retirada de suas casas, moradores fecharam a pista
expressa da marginal Pinheiros. A PM reagiu com bombas e
gás pimenta e conseguiu liberar a via no final da manhã.
A pista local ficou fechada para os trabalhos da
polícia.
Segundo a PM (Polícia Militar), o protesto desta
quarta-feira em frente à prefeitura foi pacífico, sem
confrontos. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego)
não registrou problemas na região, pois os manifestantes
ocuparam a calçada em frente ao Palácio Anhangabaú. A
assessoria do secretário não informou se ele receberá os
moradores.
O protesto começou por volta das 11h e, três horas
depois, o grupo começou a se dispersar. Ainda nesta
quarta, representantes de 25 famílias devem prestar
depoimento à Defensoria Pública.
Segundo a coordenadora da regional sul da Defensoria
Pública, Samanta Souza, os depoimentos devem integrar um
novo recurso à Justiça para tentar barrar a destruição
dos barracos que ficaram em pé. Ontem, uma liminar foi
negada. Nesta quarta, a Defensoria tentará um agravo de
instrumento no TJ (Tribunal de Justiça), no qual
pretendem reverter a decisão.
Reivindicações
Uma das moradoras do Real Parque, a educadora Karina
Santos, 21, afirma que o documento que o grupo pretende
discutir com o prefeito e o secretário elenca oito
itens. Entre eles está a imediata acomodação em
residências temporárias das 54 famílias que não quiseram
ir para albergues e hotéis oferecidos pela prefeitura.
'Para onde nós vamos? Queremos mais respeito e ter um
local melhor do que um albergue', afirma.
A administração municipal afirmou na terça que
disponibilizou hotéis e albergues aos moradores que
foram despejados, além de passagens para aqueles que
quisessem retornar às suas cidades de origem.
Paula Takada, 27, que morava na favela e integrante de
um grupo cultural que desenvolvia projetos junto à
comunidade, afirma que os moradores querem ser
indenizados pelo que consideram violência praticada
durante a retirada das pessoas de suas casas. 'Chegaram
sem avisar, deram dois sacos pretos e mandaram a gente
colocar o que tinha dentro. E os que não estavam lá e
chegaram só depois do trabalho? Nem tiveram oportunidade
de tirar o que tinha', afirma.
Takada afirma ainda que o grupo é contrário a um projeto
de urbanização em curso em todo Real Parque e tocado com
parceria entre empresas e Prefeitura de São Paulo. O
local abriga cerca de 1.200 famílias.
Outro ponto do documento exige a aplicação dos recursos
da Operação Urbana Faria Lima. Os recursos foram obtidos
com a venda dos chamados Cepacs (Certificados de
Adicional de Potencial Construtivo), que permite ao
empreendedor levantar edificações acima do limite de
metragem permitido, desde que pague pelo adicional.
Terreno
O terreno do Emae tem cerca de 12 mil metros quadrados.
Segundo os próprios moradores, há cerca de três anos os
moradores começaram a ocupar o terreno.
Eles afirmam que pretendem negociar a permanência no
local e apresentar um projeto de reurbanização para a
área, que prevê moradias.
Confronto
A defensora pública Carolina Pannain, afirmou que vários
moradores relataram que não haviam sido avisados sobre a
operação e que não tiveram tempo para recolher
pertences, também ontem. "Estudamos derrubar a liminar
ou pelo menos conseguir mais tempo para que eles possam
deixar suas casas", afirmou.
A Defensoria foi chamada ao local pela advogada Maria
Célia Barletta, do Projeto Casulo, ONG que atua na
favela Real Parque, instalada no terreno. Segundo
Barletta, a Polícia Militar cometeu excessos na
reintegração.
"Entraram [no terreno] como se estivessem invadindo um
presídio em rebelião. Derrubando tudo e arrancando as
pessoas", disse. A defensora também ouviu relatos de
moradores, que disseram terem sido retirados das casas
com violência e uso desnecessário de spray pimenta.
A Polícia Militar negou as acusações dos moradores e
disse que só usou o gás e balas de borracha porque os
manifestantes ocuparam a pista expressa da marginal.
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