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Ambulatórios do HC param de receber pacientes por 30 dias


Os ambulatórios de especialidades do HC (Hospital das Clínicas) de São Paulo só receberão novos pacientes após o Carnaval. Neste período, os pacientes que foram encaminhados por UBSs (Unidades Básicas de Saúde) para os ambulatórios da rede estadual e que deveriam ir para o HC irão para outros hospitais especializados, como o do Mandaqui.



O Prédio dos Ambulatórios do HC está interditado desde o último dia 24, quando um incêndio obrigou centenas de funcionários e pacientes a deixar o prédio às pressas.

De acordo com o HC, o desvio de pacientes para outros hospitais pelos próximos 30 dias é necessário para desafogar o complexo. Inicialmente, o HC anunciara a intenção de reabrir ainda no próximo dia 2 de janeiro.

Somente nesta sexta-feira, 556 consultas e exames originalmente agendados para ocorrer no Prédio dos Ambulatórios foram reagendados. Desde quarta (26), primeiro dia útil após o fogo, mais de 4.000 consultas e exames foram adiados.

Nesta sexta, equipes ainda trabalham na limpeza do centro cirúrgico do prédio, que fica no 9º andar. De acordo com a diretoria do HC, quase todo o andar ficou coberto de fuligem após o incêndio e, por isso, tudo precisa ser limpo, esterilizado e testado antes de ser utilizado mais uma vez, sob risco de prejudicar algum paciente. Parte do prédio continua sem energia.

Investigações preliminares indicam que o incêndio começou com um curto-circuito em uma subestação do prédio, e que a fumaça se espalhou por todos os andares pela tubulação de ar-condicionado. O caso é investigado por equipes do Corpo de Bombeiros, do IC (Instituto de Criminalística) da Polícia Civil de São Paulo, do Contru (Departamento de Controle do Uso de Imóveis), da prefeitura, e do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), do Estado.

Acusações

O promotor Reynaldo Mapelli Júnior disse ontem que o HC não tinha um plano de emergência para enfrentar incidentes como o incêndio, e que ele só não terminou em tragédia graças ao "heroísmo de profissionais".

Mapelli Júnior e a promotora Anna Trotta Yaryd investigam o incidente e acompanham os pacientes e investigam se houve negligência da direção do hospital. Um dos fatores a ser investigados é o adiamento da obra de reforma da subestação de energia do subsolo do Prédio dos Ambulatórios, onde começou o incêndio.

Conforme a Folha revelou ontem, a obra estava prevista desde 2005, mas não foi realizada.
O HC é uma autarquia vinculada ao governo José Serra (PSDB). Ontem, o governador disse que o hospital tem autonomia para decidir como usar a verba destinada pelo Estado. Ele nega que tenha havido algum tipo de contingenciamento.

Morte

Somente uma das pessoas que estava no Prédio dos Ambulatórios no momento do incêndio morreu. Trata-se do vendedor Raimundo Nonato de Azevedo, de 56 anos. Segundo o HC, a morte dele não tem nenhuma relação com o deslocamento forçado.

"Durante o transporte com acompanhamento da equipe médica e de enfermagem, foi mantido ventilado todo o tempo, chegando nas mesmas condições em que se encontrava, não apresentando intercorrências ao longo do trajeto", afirmou o HC em comunicado.

 

 

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