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Para especialista, eficácia do Código de Trânsito
esbarra na Justiça
da Folha Online
O CTB (Código de Trânsito Brasileiro), que completou dez
anos na quarta-feira (22), entrou em vigor com grandes
contribuições para a segurança dos motoristas: maior
rigor na punição das infrações, a sistematização dos
crimes de trânsito e a exigência de cursos para formação
de motoristas. Tudo isso valia no papel, mas após um ano
de queda nas mortes no trânsito, o número de acidentes
voltou a subir aos mesmos índices de antes do novo
código.
"O CTB é apenas uma lei. Sua aplicação esbarra nos
vícios da Justiça: sua inoperância e morosidade,
tendenciosidade ao julgar crimes das classes abastadas,
e na falta de ação administrativa efetiva", avalia o
engenheiro Hugo Pietrantonio, engenheiro da USP
especializado em segurança viária. "O rigor depende da
fiscalização, além da letra da lei, e precisa haver
responsabilidade e respeito com o cidadão", afirma.
Números do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito)
mostram que em 1997 ocorreram 113,4 acidentes com
vítimas (mortos ou feridos) para cada 10 mil veículos no
Brasil. No ano seguinte entrou em vigor o novo CTB e a
queda foi substancial: 84,8 acidentes com vítimas/10 mil
veículos. Mas já em 1999 as ocorrências com vítimas
voltaram ao mesmo patamar, atingindo 116,5 acidente/10
mil carros.
Desde o final do ano passado, o Ministério da Justiça e
o Ministério das Cidades --a quem respondem
respectivamente a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e o
Denatran-- estudam mudanças no código em um grupo de
trabalho. No fim de 2007, a PRF divulgou que as mortes
nas rodovias que patrulha cresceram 10% em relação ao
ano anterior. Pietrantonio, no entanto, diz temer que as
mudanças sejam usadas para favorecer "interesses".
"Qualquer lei precisa de aprimoramentos contínuos mas
deve ser modificada de forma parcimoniosa, com base na
experiência acumulada sobre sua aplicação e com base em
estudos que permitam propor melhorias testadas, o que é
muito ignorado no Brasil", avalia.
"O CTB trata de uma área de negócio muito importante e
bastante sujeita pressão de grupos de interesse mais
preocupados com retornos financeiros", completa. O
engenheiro se refere a ações que classifica como
'obscuras': "A fiscalização de velocidade, a inspeção
veicular ou os chips obrigatórios. Todos são negócios
com muitos interessados".
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