|
Internautas marcam protesto em SP contra proibição do
Counter Strike
FELIPE MAIA
da Folha Online
Blogueiros marcaram para o próximo sábado (2) uma
manifestação em São Paulo contra a medida judicial que
proibiu a venda dos jogos Counter Strike e EverQuest no
Brasil. O evento está previsto para ocorrer no vão do
livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), localizado
na avenida Paulista, às 11h. O objetivo dos
manifestantes é fazer com que a decisão seja revertida.
A venda dos jogos Counter Strike e EverQuest foi
proibida em todo território nacional. A decisão foi
tomada por um juiz da 17ª Vara Federal da Seção
Judiciária do Estado de Minas Gerais em outubro e
começou a ser cumprida em meados de janeiro, em Goiás,
pelo Procon (Fundação de Proteção e Defesa do
Consumidor).
Reprodução

Segundo blogueiros, decisão é "arbitrária" e "visa tirar
a sua liberdade de escolha"
De acordo com o juiz, os jogos "trazem imanentes
estímulos à subversão da ordem social, atentando contra
o estado democrático e de direito e contra a segurança
pública, impondo sua proibição e retirada do mercado".
Na últim terça-feira (22), atendendo a decisão judicial,
a distribuidora EA (Electronic Arts) suspendeu as vendas
no Brasil das versões Counter Strike Source e Counter
Strike Anthology. O EverQuest não é comercializado
oficialmente no Brasil.
Liberdade
Em um manifesto que circula na rede, disponível no blog
Liberdade Gamer, internautas classificam a decisão do
juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz como "arbitrária", e
que "visa tirar a sua liberdade de escolha".
"Alegam que esses jogos são nefastos e podem causar
danos a crianças e adolescentes, mas atroz mesmo é tirar
dos pais o poder de decidir o que é melhor para os seus
filhos e quando. Alegam que os jogos fazem mal e,
portanto, devem ser retirados do mercado. E quanto ao
cigarro? E quanto à bebida? E quanto à venda de armas de
fogo, não pudemos votar em plebiscito se teríamos ou não
esse direito?", afirma o manifesto.
Pacífico
Diante desses argumentos, os blogueiros pedem que as
pessoas participem do "manifesto pacífico contra
proibição de jogos, o manifesto pela liberdade gamer",
chamando inclusive pais e responsáveis para o "ato de
cidadania pró-democracia".
"Queremos que as pessoas entendam o nosso lado. Como
cidadãos temos o direito de decidir sobre o que nós
compramos", afirma um dos organizadores do evento, o
blogueiro Gustavo Lanzetta, que tem 17 anos --idade
inferior à classificação etária estabelecida para o jogo
(18 anos).
De acordo com o texto, o manifestante que desejar pode
levar placas ou ir vestido "a caráter" --uma camiseta
com o símbolo do CS ou do EverQuest ou qualquer tipo de
roupa que lembre os games.
Apesar de a medida proibir apenas a venda dos jogos --o
que não exige que as lan houses os deletem--, Lanzetta
considera que a medida prejudica os jogadores. "Já deu
resultado. A EA [Electronic Arts, distribuidora do CS]
já tirou das lojas. Tem como as pessoas comprarem, mas
não é bom que elas comprem por meio não tão legais, que
o governo não sabe que existem", afirma.
Os jogos
O Counter Strike surgiu como "filhote" de outro game, o
Half-Life, no final da década de 90. Sua trama divide os
jogadores em equipes. É preciso eliminar os adversários
à bala.
Apesar de ser menos conhecido, EverQuest é considerado
um clássico. Nos moldes do RPG ("role playing game"), o
jogo on-line se passa num mundo fictício com ares de
Idade Média. Para os jogadores, esses games servem
também como ponto de encontro, numa espécie de rede de
relacionamentos com disputas.
|