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Relatório da Human Rights Watch critica impunidade no
Brasil
A organização de direitos humanos Human Rights Watch
apontou a impunidade como o principal problema referente
ao abuso de direitos humanos no Brasil.
Em seu relatório anual sobre a violação de direitos
humanos no mundo, divulgado nesta quinta-feira, a ONG
diz que "apesar de o governo brasileiro ter feito
esforços para tratar dos abusos de direitos humanos,
raramente aponta os responsáveis".
"As violações aos direitos humanos raramente são
investigadas", diz o documento.
"Em um esforço para remediar o problema, o governo
brasileiro aprovou uma emenda constitucional em 2004 que
torna delitos de direitos humanos em crimes federais".
"Isso permite que determinados casos de violações de
direitos humanos sejam transferidos da esfera judicial
estadual para a federal. Esta transferência, entretanto,
só pode ocorrer se for solicitada pela procuradoria
geral federal e acatada pelo Supremo Tribunal Federal.
Até agora, não houve transferências desse tipo", diz o
relatório.
Violência policial
No tema da violência policial, a Human Rights Watch
destacou a resposta das forças de segurança pública a
ataques de gangues criminosas, tanto no Rio de Janeiro
como em São Paulo. Nessas operações, relata o documento,
são comuns as "execuções extrajudiciais" de suspeitos e,
possivelmente, inocentes.
"(Em São Paulo) a polícia matou 201 pessoas na primeira
metade de 2007, de acordo com dados oficiais. Quinze
policiais foram mortos no mesmo período", compara a ONG.
A Human Rights Watch destacou "as condições subumanas,
violência e superlotação que historicamente
caracterizaram as prisões brasileiras", ilustradas pelos
acontecimentos na penitenciária de Urso Branco, em
Rondônia, onde quase cem presos morreram desde novembro
de 2000.
"Em quatro ocasiões, a Corte Interamericana de Direitos
Humanos ordenou ao Brasil adotar medidas para garantir a
segurança dos detidos em Urso Branco, mas até agora o
Brasil não o fez", critica o relatório.
Trabalho escravo
A Human Rights Watch destacou que o trabalho escravo no
Brasil resiste a "esforços do governo de expor as
violações". "De janeiro a agosto, o Ministério do
Trabalho libertou mais de 3,4 mil trabalhadores,
incluindo 1.064 pessoas libertadas em apenas uma
operação em uma fazenda no Pará, em julho", destacou o
informe.
Entretanto, "até agosto de 2007, ninguém foi punido por
manter trabalhadores em condições escravas, de acordo
com a procuradoria responsável por combater o trabalho
escravo".
A ONG destacou a legislação que permite que certos casos
de abusos de direitos humanos sejam julgados na esfera
federal, e não realizados no âmbito estadual, onde
arranjos que levam à impunidade são mais facilmente
costurados.
"A transferência, entretanto, só pode ocorrer se
requisitada pelo procurador-geral federal e aceita pelo
STJ (Superior Tribunal de Justiça). Até a data, nunca
ocorreram tais transferências", diz o documento.
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