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Portadores de HIV do Brasil demoram
para buscar tratamento
ANA PAULA RIBEIRO
O acesso dos portadores de HIV ao sistema de saúde é
tardio no Brasil, o que dificulta o tratamento. Para
mudar o quadro, o Ministério da Saúde quer intensificar
o uso dos testes rápidos nas unidades médicas, disse
nesta quinta-feira a diretora do Programa Nacional de
DST/Aids, Mariangela Simão. "O diagnóstico precoce ainda
é a melhor forma de melhorar as condições de vida das
pessoas portadoras do vírus."
O relatório "UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de
Aids 2005-2007" mostra que 43,7% das pessoas que buscam
acompanhamento clínico já estão com uma deficiência
imunológica severa ou com quadro com sintomas da Aids.
Óbitos no início de tratamento acontecem em 28,7% dos
casos.
O relatório ressalta, porém, que o índice de
acompanhamento tardio está dentro do registrado em
países desenvolvidos, onde varia entre 15% e 45%.
Há diferenças entre a busca por tratamento conforme as
regiões do país. A região Sul tem o menor índice de
início tardio, com 40,8%. Já a Norte é onde os
portadores do HIV iniciam o tratamento mais tarde
--50,3%.
No país, o tratamento aos portadores de HIV atinge 94,8%
dos pacientes, sendo que 97,2% permanecem vivos após 12
meses de tratamento e 91% após quatro anos de
tratamento.
Segundo o relatório, a busca tardia pode ser atribuída
ao medo do diagnóstico, à dificuldade de acesso ao
serviço ou a não-identificação da pessoa como vulnerável
à doença. Simão ressalta que é importante fazer o teste
quando a pessoa compartilhou agulhas ou fez Patologia
desprotegido, pois o tratamento tardio aumenta o risco
de morte, os custos ao sistema público de saúde e também
o risco de transmissão.
Testes rápidos
Para combater esse quadro, o Ministério da Saúde amplia
a aplicação dos testes rápidos, em que o resultado sai
no mesmo dia. No teste rápido são realizadas duas
coletas de sangue. Se ambas indicarem positivo ou
negativo, não há necessidade de contraprova. Se os
resultados forem distintos, é realizado um terceiro
teste ou o sangue é encaminhado a um laboratório.
"Com certeza o teste rápido facilita o tratamento. É
claro que a pessoa precisa se dispor a fazê-lo, mas o
serviço de saúde também tem que facilitar o acesso",
disse a coordenadora. Em 2005, foram 510 mil testes e em
2007 o total chegou a um milhão.
O Ministério da Saúde estima que 600 mil pessoas vivem
no Brasil com HIV ou Aids. Ao todo, 180 mil estão em
tratamento.
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