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Avião que caiu no Rio usava querosene no lugar de gasolina, diz delegado

LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio


O avião que caiu domingo (2) na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, foi abastecido com querosene em vez de gasolina, disse no início da tarde desta segunda-feira o delegado titular 16ª DP (Barra), Carlos Augusto Nogueira Pinto. O acidente causou a morte dos quatro ocupantes da aeronave.

O delegado afirmou que teve acesso à nota fiscal em que consta a venda de combustível à aeronave, feita pelo terminal da distribuidora BR do aeroporto de Jacarepaguá. Ele, no entanto, disse que ainda é cedo para dizer se isso pode explicar o acidente ou a fumaça preta que foi vista logo depois de o avião decolar.

De acordo com a Infraero, o querosene é utilizado como combustível apenas em aeronaves turbinadas, o que não era o caso do monomotor acidentado --um Cirrus SR 22, prefixo PR-IAO.

Testemunhas que já depuseram na 16ª DP sobre o caso teriam revelado que o próprio piloto pediu a funcionários da distribuidora que abastecessem a aeronave com querosene em vez de gasolina. O delegado Carlos Augusto ainda não confirmou a informação.

O abastecimento de aeronaves no aeroporto de Jacarepaguá, segundo a Infraero, é negociado entre o próprio piloto e os funcionários das duas distribuidores que existem no local.

Acidente

O avião caiu em um terreno na Barra da Tijuca logo após decolar do aeroporto de Jacarepaguá (zona oeste) com destino a Santa Catarina.

Morreram no acidente o empresário e proprietário da aeronave, Joci José Martins, o piloto Frederico Carlos Xavier de Tolla, Silvio Pedro Vanzela e Gilmar Sidnei de Toni.

Além da Polícia Civil, a Aeronáutica também investiga as responsabilidades no acidente. O Seripa (Serviço Regional de Investigação de Acidentes Aeronáuticos) tem 90 dias para apresentar um parecer. O objetivo da investigação do Seripa é emitir um relatório com as causas do acidente para evitar que novos problemas ocorram em aeronaves semelhantes.

A Infraero informou que já começou a fazer a transcrição do diálogo entre o piloto do avião e a torre de Jacarepaguá. Segundo a estatal, a conversa tem cerca uma hora e 20 minutos de duração, e o conteúdo será enviado ainda na tarde desta segunda-feira à Aeronáutica e à polícia do Rio.

 

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