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Ubatuba faz blitz antidengue em carros
de turistas do Rio
MATHEUS PICHONELLI
da Agência Folha
Para entrar em Ubatuba (a 224 km de São Paulo) durante o
feriado da Páscoa, automóveis que vêm do Rio de Janeiro
estão tendo de passar por uma "blitz sanitária" montada
pela prefeitura do município paulista. A operação foi
iniciada ontem e a previsão é que só termine hoje por
volta das 15h. Ubatuba, no litoral norte paulista, faz
divisa com Paraty (RJ).

Em um posto da Polícia Rodoviária Federal na entrada da
cidade, na BR-101, cerca de 30 funcionários, entre
agentes de endemias e de enfermagem, paravam os carros
com placas de municípios do Estado vizinho e faziam
perguntas aos passageiros e motoristas para tentar
identificar turistas que pudessem estar contaminados com
o vírus da dengue.
Caso apresentassem sintomas da doença, eram encaminhados
à Santa Casa de Ubatuba. Em uma hora, segundo a
Secretaria de Saúde, cerca de 200 carros foram parados
na blitz. Pelo menos dez pessoas foram encaminhadas ao
hospital. Ontem, pela primeira vez, o governo fluminense
admitiu a existência de uma epidemia.
Em Ubatuba, segundo o secretário de Saúde, Clingel
Frota, a preocupação é que casos da doença fossem
registrados no município. Isso poderia acontecer caso o
mosquito Aedes aegipty, transmissor da doença, atacasse
uma pessoa já contaminada e, em seguida, picasse alguém
ainda não infectado.
"Não temos casos de manifestação da doença desde agosto,
embora haja focos do mosquito. A ação é para que esse
quadro seja mantido. É importante que se saiba quem são
as pessoas com os sintomas, as cidades de origem delas e
que vieram pra cá com a dengue."
Ineficiência
Para o epidemiologista Roberto Medronho, da UFRJ
(Universidade Federal do Rio de Janeiro), a barreira
montada em Ubatuba é "antipática e ineficaz". "Não se
pode ter preocupação só com outras cidades. É preciso
controlar focos do mosquito transmissor da doença. Se
não tiver mosquito, ninguém vai espalhar dengue."
Segundo Medronho, a medida lembra o período em que
agentes dos Estados Unidos realizavam testes para
identificação do vírus da AIDS em quem entrava no país.
"A pessoa pode estar com o vírus incubador da doença que
ainda não se manifestou. Ela vai passar pela barreira
sanitária, e a cidade terá a falsa sensação de
segurança. Além disso, pode ser que uma pessoa tenha um
simples resfriado e seja levada ao hospital com suspeita
de dengue. É ineficaz", disse.
A reportagem não encontrou representantes da Secretaria
da Saúde e Defesa Civil do Estado do Rio para falar
sobre a ação da Prefeitura de Ubatuba.
Segundo Frota, não houve resistência por parte dos
turistas que vieram do Rio.
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