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Imigração triplica e estimula barreiras na Europa


DANIELA FERNANDES
Brasil, em Paris

Em menos de 15 anos, o número de imigrantes legais que chegam anualmente à Europa triplicou, passando de 590 mil em 1994 para 1,8 milhão em 2007, segundo o Eurostat, órgão responsável por reunir estatísticas da UE (União Européia).

Os números não consideram os clandestinos que, segundo estimativas da Comissão Européia, representam cerca de 25% (4,2 milhões de pessoas) do número de imigrantes legais que entram todos os anos no bloco europeu.

De acordo com essas estatísticas, a UE recebeu --de 1994 a 2007-- mais de 21 milhões de estrangeiros, total que equivale ao dobro da população de Portugal. Essa chegada em massa mudou o perfil das grandes cidades e tem contribuído para o criação de um clima antiimigração entre parte dos europeus.

"É impossível negar que cada vez mais países estão elaborando políticas mais seletivas em relação à imigração", disse à BBC Brasil Xavier Chojnicki, pesquisador do Centro de Estudos Prospectivas e de Informações Internacionais (Cepii, na sigla em francês), autor de várias publicações sobre o assunto.

Segundo uma enquete feita pela Novatris/Harris Interactive, a maioria dos britânicos (67%), dos italianos (55%) e dos alemães (55%) acha que há imigrantes em excesso em seus países.

Na Espanha, esse percentual, segundo o levantamento, é ligeiramente inferior (45%), apesar de ser o país que mais recebeu imigrantes no ano passado. Foram quase 685 mil, segundo a Eurostat, representando 38% do fluxo total de estrangeiros na União Européia.

"É certo que a Espanha não poderá continuar suportando esse número de imigrantes por muito tempo. É um número extremamente elevado para um país de apenas cerca de 43 milhões de habitantes", disse o pesquisador Xavier Thierry, do Instituto Nacional de Estudos Demográficos da França.

Pacto europeu

O quadro reforça argumentos de políticos europeus como o presidente francês, Nicolas Sarkozy, para defender uma política de imigração mais restritiva não só para a França, mas também para todo o continente. O presidente francês diz com freqüência que "não podemos acolher todo mundo".

O paulista E., 22, acredita já ter sido vítima desse maior controle na França. Foi preso, em janeiro deste ano, ao sair de um salão de cabeleireiros em um bairro de Paris conhecido por abrigar estabelecimentos estrangeiros.

"Foi a maior humilhação da minha vida. Fui algemado com as mãos para trás como um bandido", contou o brasileiro, que havia entrado na França em 2006 e está ilegal no país. Foi solto após a intervenção de um tio que vive legalmente no país, mas terá de voltar para o Brasil em junho.

As idéias de Sarkozy sobre imigração, que lhe garantiram o apoio de boa parte do eleitorado da extrema-direita na França, vêm ganhando força nos últimos tempos entre os líderes de vários países do continente.

A França assumirá em julho a presidência da União Européia e Sarkozy já anunciou que uma de suas prioridades será a criação de um "pacto europeu de imigração", que prevê a harmonização das leis de asilo político e a possibilidade dos países recusarem regularizações em massa de clandestinos.

Outro lado da moeda

O discurso antiimigração --radical ou moderado-- tende a ignorar o outro lado do argumento: a contribuição positiva dos imigrantes para a economia européia.

A carência de mão-de-obra, por exemplo, é um dos desafios que o bloco já enfrenta em alguns setores e só tende a aumentar. Vários países do continente, como a Itália, a Espanha e a Alemanha, registram, atualmente, baixas taxas de natalidade, e a imigração, como indica o relatório do Anuário 2006-2007 da Eurostat, representa o principal fator do aumento da população da União Européia.

"Até 2050, alguns países podem ser confrontados com a escassez de mão-de-obra devido ao envelhecimento da população e às baixas taxas de natalidade. A política de imigração é uma das maneiras de restabelecer o equilíbrio", diz o documento.
 


 

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