Para peritos, Isabella foi asfixiada e
atirada
Soltura não atrapalha investigações, diz delegada do
caso Isabella
Alexandre Nardoni pega 31 anos por morte de
Isabella e madrasta, 26 anos
Os peritos do IML (Instituto Médico Legal) não têm mais
dúvidas: a menina Isabella Nardoni, 5, foi mesmo atirada
do apartamento de seu pai, Alexandre Alves Nardoni, 29,
na noite de 29 de março. Até ontem, os peritos que
analisaram o corpo da criança ainda divergiam sobre ela
ter sido arremessada ou deixada no jardim onde seu corpo
foi encontrado.
Além de concluir que Isabella foi jogada através de um
buraco feito na tela de proteção de um quarto do sexto
andar do prédio onde o pai vivia, na zona norte, os
peritos também deverão apontar nos laudos sobre o crime
que a queda foi determinante para a morte da menina.

Fachada do edifício London, na zona norte de São Paulo;
a menina Isabella Oliveira Nardoni, 5, morreu depois de
cair do sexto andar
Peritos do IML e do IC (Instituto de Criminalística)
também confirmaram que, além da queda, a menina foi
asfixiada, conforme revelou a Folha, muito provavelmente
ainda dentro do apartamento do pai.
Um dos maiores desafios dos peritos do IML em apontar
com exatidão a causa predominante da morte da menina é o
"lapso de tempo" entre o momento em que ela foi sufocada
e a queda no jardim. Tudo foi rápido, segundo os
peritos.
Na janela de onde a menina foi jogada, os peritos do IC
encontraram ontem marcas possivelmente deixadas pelas
mãos de Isabella e que indicam que ela foi jogada de
cabeça para baixo, já desacordada (em função da
asfixia). Para determinar como exatamente Isabella
atingiu o solo do jardim do prédio do pai, o IC examina
o afundamento na grama onde ela foi achada.
Os peritos do IC, principalmente os que integram o
Núcleo de Física, já descartaram a hipótese de que a
queda tenha sido provocada por acidente. No entender dos
especialistas, se Isabella tivesse escorregado, é mais
provável que caísse perto da base do edifício. Se
tivesse pulado, o corpo teria caído a uma distância
maior do que a que foi encontrado.
Por causa da queda do sexto andar, Isabella apresentou
uma fratura na bacia. A outra ruptura de um osso de seu
corpo apareceu no pulso direito, mas, ainda na análise
dos peritos, esse ferimento foi causado num possível
movimento de defesa, quando ela deve ter sido espancada
por quem, instantes depois, a jogou pela janela.
Além da bacia e do pulso direito fraturados, Isabella
também apresentava luxação no osso hióide (pequeno e
único osso, em forma de ferradura, situado na parte
anterior do pescoço, na base da língua), a língua estava
para fora da boca quando foi achada no jardim, com as
unhas roxas e com manchas no pulmão e no coração, todos
esses traumas causados provavelmente pela asfixia.
Um corte de cerca de dois centímetros na testa de
Isabella é analisado como o possível causador das
manchas de sangue que foram encontradas no apartamento
de seu pai. Ontem, os peritos vasculharam o local para
descobrir se o ferimento foi causado por um móvel ou
não, mas não conseguiram determinar o que causou esse
ferimento.
Desde o dia 3, o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, e a
mulher dele, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24,
estão presos temporariamente --por 30 dias-- como
principais investigados pela morte. Ontem, os defensores
do casal impetraram um habeas corpus com pedido de
liberdade para o casal.
Pegada na cama
Outra importante pista averiguada pela perícia e pela
Polícia Civil para tentar determinar quem atirou
Isabella do apartamento de seu pai é uma pegada ao lado
de um pingo de sangue no lençol da cama do quarto de
onde a menina foi atirada. Para os peritos, a pegada
indicará quem pisou na cama para chegar à janela e,
dali, jogar Isabella no jardim do prédio.
Cerca de 30 pares de sapatos e tênis pertencentes ao pai
e à madrasta de Isabella são analisados pelos peritos do
caso. A perícia está atrás de possíveis imagens de
circuitos de câmeras de locais públicos onde o casal
estava horas antes do crime e, com elas, analisará os
pares de calçados apreendidos.
O delegado Calixto Calil Filho, 9º DP (Carandiru),
afirmou ontem que aguarda os resultados oficiais dos
laudos periciais antes de voltar a ouvir o casal. Os
laudos também devem ser importantes para a futura
realização de uma reconstituição do crime.
No dia 4, o IML pediu mais 15 dias de prazo para
concluir as perícias e entregar os laudos sobre a morte
de Isabella. São três os exames ainda não concluídos: 1)
radiológico; 2) toxicológico do casal e da menina e 3)
anatomopatológica (análise microscópica dos órgãos).
Todos esses laudos serão anexados ao laudo necroscópico
que irá determinar oficialmente a causa da morte da
menina. De acordo com médicos do IML, dez amostras com
sangue ou vestígios de sangue foram entregues para
análise no IC. O órgão pretende confrontá-las com o
sangue colhido de Isabella e do casal para determinar a
quem ele pertence.

