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Acusados de vender CNH, 23 viram réus
ANDRÉ CARAMANTE
A Justiça recebeu ontem a denúncia do Ministério Público
de Guarulhos, na Grande São Paulo, contra as 23 pessoas
acusadas de integrar uma quadrilha responsável pela
venda ilegal de 1.596 CNHs (carteiras nacionais de
habilitação) na Ciretran (Circunscrição Regional de
Trânsito) de Ferraz de Vasconcelos (Grande SP). O grupo
foi alvo da Operação Carta Branca, realizada no dia 3
com a Polícia Rodoviária Federal.
A Justiça ainda determinou a prisão preventiva de 20 dos
23 acusados -19 deles já estavam na prisão
temporariamente e Marcelo Pires Felizi, marido da dona
de uma das auto-escolas envolvidas, é procurado da
Justiça. As acusações são de falsificação, formação de
quadrilha e lavagem de dinheiro.
Dois delegados da Polícia Civil de São Paulo -Juarez
Pereira Campos e Fernando José Gomes, que estão presos-
estão entre os réus, juntamente com psicólogas, uma
médica, donos de auto-escolas, despachantes e donos de
posto de combustível e loja de carros. A reportagem não
conseguiu contato com Campos e Gomes.
Segundo o promotor Marcelo Alexandre de Oliveira, do
Gaerco (Grupo de Atuação Especial Regional para
Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) do Ministério
Público de Guarulhos, entre abril de 2007 e março de
2008, foram realizados 7.439 exames práticos para
emissão de CNHs na Ciretran de Ferraz, mas, no período,
o órgão emitiu 36.939 carteiras.
Ainda ontem, o delegado-geral da Polícia Civil, Maurício
Freire, afastou o delegado Nelson Silveira Guimarães do
cargo de divisionário do Detran.
Dentro da polícia, o afastamento é visto como retaliação
da cúpula da Polícia Civil pelas denúncias que o
delegado fez sobre um possível favorecimento do
ex-secretário adjunto da Segurança Pública, Lauro
Malheiros Neto, para o investigador Augusto Peña, preso
em abril acusado de extorquir dinheiro de supostos
membros da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da
Capital).
Freire afirmou que a saída de Guimarães teve "caráter
administrativo". A Folha apurou que o delegado Fábio
Caipira, da divisão de licenciamento do Detran, será o
próximo a sair.
Desde ontem, o delegado Carlos José Ramos da Silva, o
Casé, ex-chefe da Polícia Civil na região de Ferraz,
passou a ser investigado por envolvimento no esquema das
CNHs. Casé foi afastado do cargo de seccional em 21 de
maio. Ele não foi localizado ontem.
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