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Calor de motor pode recarregar bateria
Quem esquenta a cabeça à toa desperdiça
energia. Os motores quando esquentam, também. Mas um
novo material elaborado por pesquisadores dos EUA pode,
no futuro, ajudar os carros a aproveitarem a força que o
calor oferece.
Em média, um carro a gasolina funciona com 25% da
energia produzida por seu motor, enquanto 60% dela se
perde por aquecimento. O jeito de tentar salvar essa
energia é com equipamentos chamados de conversores
termelétricos, que transformam calor em eletricidade. Os
conversores atuais, porém, são pouco eficientes.
Vladimir Jovovic/Divulgação

Novo material, na ponta da haste, é testado em
laboratório; novidade pode ajudar os carros a
aproveitarem a força que o calor oferece
O novo material criado pela Universidade
Estadual de Ohio (EUA), divulgado hoje em artigo na
revista "Science", promete usar 10% dessa energia
desperdiçada para recarregar a bateria dos automóveis.
Se os cientistas conseguirem aumentar a eficiência do
material, ele também poderá ajudar o motor de carros
híbridos e até converter calor do Sol em eletricidade.
O gerador termelétrico funciona como uma panela no
fogão. Em vez de água, a "panela" é cheia de elétrons
--as partículas que geram eletricidade quando se movem.
À medida que o fogão esquenta a base da panela, os
elétrons ganham energia e "evaporam", se concentrando
perto da tampa da panela. A diferença de carga elétrica
entre a tampa e o fundo é o que os físicos chamam de
voltagem. "Você pode usar essa voltagem com uma
bateria", explica Joseph Heremans, principal autor da
pesquisa.
Segundo o cientista, conversores termelétricos são
usados hoje apenas como última opção. Sondas espaciais,
por exemplo, têm geradores que captam o calor de átomos
radioativos. O grande problema para criar um conversor
termelétrico eficiente é garantir que a energia do calor
seja absorvida pelos elétrons e não pelos núcleos dos
átomos do material, que a desperdiçam vibrando.
A maioria dos físicos estudando o problema procura fazer
os átomos pararem de vibrar. Como uma gelatina que não
para de tremer, porém, sempre persiste uma vibração
mínima. "Para avançar, precisávamos usar outro
mecanismo", diz Heremans.
Os pesquisadores resolveram, então, investigar como os
elétrons viajam dentro de um material termelétrico
conhecido há 50 anos --o telureto de chumbo-- um cristal
feito de átomos de telúrio e de chumbo.
Heremans sabia que se trocasse os átomos de chumbo por
outros, os elétrons captariam melhor a energia do calor.
"Tentamos vários átomos raros: cério, samário, európio,
índio até chegar no tálio", conta. "Percebi que, com o
tálio, era possível pôr muitos elétrons na energia que
eu queria."
Amostras do material foram testadas por pesquisadores na
Califórnia. A equipe descobriu que adicionar uma pitada
de tálio ao cristal triplicava a voltagem gerada na
faixa dos 500C -a temperatura nos escapamentos de
carros.
Máquina a vapor
Já existem outros projetos para reaproveitar a energia
do calor de motores usando máquinas a vapor -motores
secundários que movem turbinas com a pressão da água que
evapora com o calor gerado. Esses dispositivos, porém,
são cheios de partes móveis e são difíceis de instalar e
de manter.
"Eles ultrapassaram a barreira que torna os
[conversores] termelétricos economicamente
convenientes", comenta o físico Mário Baibich, da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Baibich
destaca ainda a possibilidade de usar o material para
aproveitar a energia solar. "A maior parte da energia
que vem do Sol não está na forma de luz, e sim de
calor."
Para o físico Harald Böttner, do Instituto Fraunhofer
(Alemanha), o novo material conversor "tem relevância
científica, mas não prática". "Ele contem tálio, um dos
elementos químicos mais tóxicos", diz.
Uma bateria de cem quilos conteria dois quilos de tálio
e teria de ser manejada com extremo cuidado. Outro
problema é o chumbo, também tóxico, que vem sendo banido
de produtos.
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