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Número de mulheres chefes de família
cresce no Brasil, diz Ipea
O número de mulheres responsáveis por
famílias em todo o Brasil cresceu cerca de nove pontos
percentuais segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada). Os números, baseados nas Pnads
(Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 1993 a
2007, foram divulgados nesta terça-feira.
Segundo o estudo, as famílias chefiadas por mulheres
eram 19,7% há 15 anos e chegaram a 28,8% do total em
2006, reforçando a tendência de alta que já vinha sendo
observada pelo Ipea na década atual.
Apesar do crescimento, os números, segundo os
pesquisadores, apontam para um dos mais importantes
dados da desigualdade de gênero do Brasil: a
participação feminina nas decisões familiares.
"Muito embora se identifique uma tendência de aumento do
número de famílias chefiadas por mulheres tanto nas
zonas urbanas quanto nas rurais, nestas as mulheres
chefiam somente 14,6% dos lares, menos da metade dos
31,3% encontrados nas áreas urbanas. O grau de
crescimento neste caso foi de 9,6 pontos percentuais em
13 anos, nas áreas rurais foi de somente 3,2", diz o
estudo.
Transformação
Ao mesmo tempo, o estudo mostra uma mudança de
convenções sociais. Se por um lado o número de família
chefiadas por mulheres ainda é significativamente menor
que o de homens, por outro o número de famílias
sustentadas por um homem sem ajuda de uma mulher (monoparental
masculina), também cresceu, de 2,1% para 2,7%.
Segundo o Ipea, isso significa que os homens podem estar
assumindo responsabilidades antes consideradas
femininas. "Embora lentamente, os homens têm assumido a
responsabilidade tanto pela provisão, tarefa
tradicionalmente considerada masculina, quanto pelo
cuidado da sua prole, tarefa essa tradicionalmente
relegada às mulheres", conclui o estudo.
O aumento dos dois números --de mulheres chefes de
famílias e de homens responsáveis sozinhos pelos
filhos-- mostram, portanto, para uma equiparação
progressiva entre os dois gêneros.
"Tais mudanças apontam para um questionamento do lugar
simbólico do homem como o provedor exclusivo. Supondo-se
um padrão de família tradicional formado por mãe, pai e
filhos, (...) esse dado nos leva a pensar num horizonte
cultural mais igualitário entre homens e mulheres dentro
das famílias", conclui o documento.
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