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Médicos fazem ato contra Cabral no Rio; conselho entra na Justiça contra governador
 

Cerca de 70 médicos do governo do Rio fizeram nesta sexta-feira um ato de repúdio ao governador Sérgio Cabral (PMDB), que chamou de vagabundos os médicos que faltaram a um plantão no hospital Getúlio Vargas, na Penha (zona norte), no último fim de semana. O Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro), que organizou o protesto --realizado na porta do hospital Getúlio Vargas-- rebateu as críticas.

O conselho informou ter ingressado na Justiça contra o governador. Os médicos querem indenização pelo fato de Cabral ter agredido verbalmente os servidores.

"Acho que ele [Cabral] está no desespero e não tem condições de sanidade para ser governador. Devia renunciar para ver se melhora", disse a presidente do Cremerj, Márcia Rosa de Araújo. "Desde que ele assumiu, já fizemos várias reuniões e nada foi feito em termos de contratação de médicos, só obras de fachada. Estávamos esperançosos, mas isso [xingamento] foi o estopim. Culpar os médicos pela incompetência do Estado é um abuso".

O conflito entre Cabral e os médicos começou na segunda-feira (22), quando o governador, em discurso, chamou de "vagabundos" e "safados" os médicos que faltaram ao plantão do último domingo (21) e estendeu a crítica aos profissionais que não cumprem os plantões.

O Cremerj, após sindicância, afirmou que três dos seis médicos já estavam com o contrato vencido com a cooperativa pela qual era contratados, um terceiro ficou doente e os outros dois eram pouco experientes para operar sozinhos.

"Bóias-frias"

Durante o ato, a presidente do Cremerj afirmou que mais de 50% dos médicos da rede estadual do Rio são contratados por meio de cooperativas, para baratear a mão-de-obra. "Os médicos no Rio são como bóias-frias. Tem várias cooperativas que a gente nem conhece. Ele [governador Sérgio Cabral] falou no início do governo que ia reformular isso, contratar mais médicos, mas nada foi feito".

O presidente da Federação Nacional dos Médicos, Sami Jundi, que participou do ato, afirmou que o Rio é o Estado com o maior número de médicos contratados por meio de cooperativas para trabalhar em hospitais públicos.

"Nenhum outro Estado atingiu a gravidade do Rio em termos de terceirização dos médicos", afirmou. A federação vai fazer um levantamento das cooperativas contratadas pelo Estado. "Não sabemos quantas são, quais são, se estão regulares. É uma caixa preta", disse Jundi.

Paralisação

O Cremerj informou ainda que os médicos estudam uma paralisação em todos os hospitais estaduais a partir da semana que vem, caso a Secretaria Estadual de Saúde do Rio não aceite o pleito dos médicos de reajuste enquanto não realiza novos concursos para reduzir o número de profissionais cooperativados.

Procurada pela Folha Online, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio ainda não se posicionou sobre as críticas.


 

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