|
Salão de Paris se volta a carros movidos
a eletricidade
JOSÉ AUGUSTO AMORIM
enviado especial a Paris
Que palavras você associa a Paris? Moda, luxo, luzes? Ao
celebrar 110 anos de seu salão de automóveis, é bom
acrescentar eletricidade --e não é a que faz brilhar a
cidade luz.
A eletricidade se tornou a opção mais comum para a
gasolina cara. E, em modelos urbanos, como o smart
fortwo, seu maior inconveniente --a baixa autonomia--
nem é notado. Há 200 desses smart rodando em Berlim e
Londres, que dispensou esses carrinhos de dois lugares
de pagar pedágio para circular no centro.

Com produção prevista para 2009, o fortwo tem bateria de
lítio com dimensões e tempo de carga reduzidos, diz a
smart.
Já a Honda ressuscitou um nome de 1999 para mostrar o
Insight, que será produzido no ano que vem. Agora há
espaço para cinco pessoas --antes levava duas--, e,
segundo o presidente mundial da empresa, Takeo Fukui,
ele é tão econômico quanto o Civic híbrido, mas custará
um pouco menos.
Sem dar detalhes, Fukui anunciou que o Fit, reestilizado
na Europa, terá uma versão com motor a gasolina e outro
elétrico. A Honda quer vender 500 mil híbridos por ano.
Com apenas três metros de comprimento, o Nissan Nuvu usa
material reciclado e uma "árvore" no teto, que dá sombra
aos três passageiros. Sua bateria de lítio permite uma
velocidade máxima de 120 km/h e uma autonomia de 125 km.
Um carro elétrico, porém, não precisa ser
necessariamente pequeno. A Mercedes-Benz revelou a
versão híbrida do Classe S, o primeiro a receber as
inovações tecnológicas.
Para reduzir emissões, o S 400 BlueHybrid tem um motor
V6 (seis cilindros em "V") de 279 cv (cavalos) e outro
elétrico de 20 cv. Faz 12,7 km/l --o S 350, no qual é
baseado, consome 6,9 km/l, segundo a marca.
Pequenos
Com a estimativa de que 70% da população européia viva
em cidades em 2015, as montadoras correm para ter
modelos compactos, mesmo a gasolina.
A Toyota roubou a cena em Paris com o iQ, um subcompacto
como o smart, mas que leva quatro pessoas. O motor 1.0
de 60 cv "empurra" seus 2,99 m.
Se parece frágil, a lista de equipamentos deixa o
condutor tranqüilo --há freios com ABS (antitravamento)
e EBD (distribuição da frenagem), além de airbags para a
cabeça.
Maior que o iQ, mas sem perder o ar de carro
"divertido", é a Citroën C3 Picasso, cuja produção em
Porto Real (RJ) está confirmada para 2010. Ela é 23 cm
mais comprida que o C3 e aqui terá estilo "off-road",
com estepe na tampa do bagageiro.
A C3 Picasso, porém, não quer parecer uma minivan.
Contraditório? Menos do que um dos salões de carro mais
visitados do mundo ficar numa cidade em que apenas a
metade da população tem automóvel e o usa para ir às
compras.
|