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Policias civis em greve e policiais
militares entram em confronto em SP
da Folha Online
Policiais civis e militares entraram em confronto na
tarde desta quinta-feira na rua Padre Lebret, na região
do Morumbi (zona oeste de São Paulo), próximo ao Palácio
dos Bandeirantes --sede do governo do Estado. Os
policiais civis estão em greve há um mês --desde o dia
16 do mês passado-- e programaram uma passeata para a
tarde de hoje para pressionar o governo a retomar as
negociações.
Policiais militares tentam reprimir o protesto com
bombas de efeito moral. A equipe da cavalaria também
está no local.
Sob uma garoa fina, policiais de todo o Estado iniciaram
uma caminhada em direção ao Palácio dos Bandeirantes, no
começo da tarde. A marcha era escoltada por policiais de
dois grupos de elite da Polícia Civil --GOE (Grupo de
Operações Especiais) e Garra (Grupo Armado de Repressão
a Roubos e Assaltos)-- que tentaram impedir a subida dos
grevistas à sede do governo, bloqueando as vias com as
motos da polícia.
Nas ruas próximas à sede do governo dezenas de equipes
da Polícia Militar, principalmente da cavalaria e do
choque, estavam de prontidão. Segundo informações do
comando da PM, a ordem era para não deixar ninguém
subir.
Às 15h15, as lideranças anunciaram aos manifestantes que
o governo havia concordado em receber uma comissão dos
grevistas. Isso, porém, não acalmou os policiais, que
continuaram a caminhada. Um grupo de representantes dos
policiais civis tentou avançar rumo ao Palácio, mas foi
impedido pelos PMs, que fizeram um cordão de isolamento.
Cerca de 2.000 policiais civis, segundo estimativas da
liderança do movimento, participavam do protesto em
direção ao Palácio. Com dois carros de som, um deles
carregando um caixão com a foto do governador José Serra
(PSDB) com a frase "aqui jaz o ex-futuro presidente".
Desde o início da caminhada o clima era tenso, com muito
policiais civis exaltados e armados.
A manifestação provocou reflexos no trânsito na região,
de acordo com a CET (Companhia de Engenharia de
Tráfego). Inicialmente foi montado um bloqueio na praça
Roberto Gomes Pedrosa, que causou lentidão na avenida
Giovanni Gronchi por volta das 14h. O bloqueio já havia
sido retirado por volta das 15h30, quando os policiais
grevistas partiram do estádio em direção à sede do
governo.
Sem acordo
Em evento no início da tarde no Memorial da América
Latina, o governador José Serra (PSDB) voltou a
reafirmar a posição do governo em relação ao movimento
--com greve não há acordo.
"Gostaríamos de um acordo, mas com greve o acordo não é
viável. Negociações em greve não são viáveis. O governo
fez sua proposta clara, está disposta a mandar para a
Assembléia Legislativa dentro das possibilidades
existentes", afirmou Serra.
Salários
Os policiais civis reivindicam reajuste salarial. De
acordo com a Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia
Civil do Estado de São Paulo), durante a reunião de
quinta-feira passada (9), na Secretaria da Gestão
Pública, o governo apresentou aos grevistas uma proposta
de 6,2% de reajuste --os policiais reivindicam 15% de
aumento somente neste ano.
Na ocasião, o governo afirmou, em nota, que as
lideranças da greve "mais uma vez mantêm propostas que
extrapolam a capacidade orçamentária do Estado".
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