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Umidade do ar fica crítica, mas não pára
queimadas em Ribeirão Preto
JULIANA COISSI
da Folha Ribeirão
Apesar de a região ter vivido dois dias com taxas de
umidade muito baixas, com mínima de até 12% no último
final de semana, na prática, a queima da palha da cana
não foi interrompida. A suspensão das queimadas na
região deveria ter valido ontem, mas o tempo melhorou e
a programação foi mantida.
Resolução da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, de
maio deste ano, prevê que a queima seja suspensa nas
cidades que, por dois dias, registrarem média de umidade
abaixo dos 20%. Nesse caso, a prática é suspensa no dia
seguinte.
Foi o que aconteceu com as regiões de Ribeirão Preto,
São Carlos e Casa Branca, que abrangem 32 cidades. A
suspensão valeria, portanto, para ontem e foi publicada
no site da secretaria. Mas a mesma lei diz que, se a
umidade melhorar e voltar a taxas acima de 20%, a
liberação da queima não precisa esperar o dia seguinte:
já vale para aquela noite. De junho a novembro, durante
a estiagem, não se pode queimar cana durante o dia em
todo o Estado. Qualquer suspensão vale, portanto, no
período das 20h às 6h.
Logo, a suspensão da queima valeria ontem a partir das
20h, mas a chuva rápida da tarde elevou a umidade e,
protegida por lei, a queima voltou a ser permitida. A
fiscalização da proibição da queima é feita pela Cetesb
(Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental)
seguindo roteiros de fiscalização e por meio de imagens
de satélite e denúncias.
Para o promotor Marcelo Pedroso Goulart, a lei é
inconstitucional. "O Ministério Público não reconhece a
validade dessa lei, porque a queimada é proibida pela
Constituição. Ela é feita para atender a interesses dos
produtores. É ridícula quando permite suspender a
prática após dias ruins, logo o tempo melhora."
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