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Onda de xenofobia na Espanha preocupa União Européia


O aumento dos casos de racismo e xenofobia na Espanha, em meio ao crescimento da imigração no país, tem causado preocupação na União Européia.

Segundo o Observatório Europeu do Racismo e da Xenofobia, órgão ligado à União Européia, a cada ano já são 4 mil os casos de agressão motivados por discriminação no país.

A organização também diz que o número de neonazistas identificados na Espanha subiu de pouco mais de 2 mil, em 1996, para 10,5 mil, no ano passado.

O aumento da imigração também deixa mais claras as divisões na sociedade espanhola e, neste fim de semana, grupos de direita e de esquerda realizam eventos em Madri para se manifestar sobre o tema.

Segundo um informe de um órgão ligado ao Conselho da Europa, a Comissão Européia contra o Racismo e a Intolerância, a Espanha está entre os cinco Estados da União Européia onde as agressões racistas têm aumentado, juntamente com Alemanha, França, Grã-Bretanha e Suécia.

O país também está na lista de países europeus onde os imigrantes são o grupo mais visado por neonazistas e pela "brutalidade policial".

O informe diz ainda que "preocupa a crescente utilização da internet para ataques, divulgações e convocações" de ações racistas ou xenófobas.

"É um alarme para ser levado a sério", disse o porta-voz da ONG Movimento contra a Intolerância, Esteban Ibarra.

"Esses grupos estão organizados em mais de 200 cidades espanholas, e as vítimas não têm apoio legal", acrescenta. "A lei não está preparada para este fenômeno, que não é pontual nem passageiro." Em fevereiro, o congolês Miwa Buenemonake, de 42 anos, levou uma surra de um neonazista em uma rua de Madri e ficou tetraplégico.

A mulher de Miwa, Mirella Buenemonake, disse que o crime da vítima "foi ser negro". "Tiraram nossa vida de um dia para outro", afirma Mirella. "Ele perdeu a vontade de viver." "E sabe o que a polícia declarou para o juiz? Que as lesões foram leves", conta. "O agressor disse a ele que o lugar de gente como nós era o zoológico." Em cidades como Barcelona, organizações como a Anistia Internacional denunciam que a cada dois dias aparece um registro de violência motivada por xenofobia.

Cinco partidos de extrema direita convocaram cinco manifestações em Madri neste fim de semana - três no sábado e duas no domingo - para demonstrar seu repúdio às políticas liberais de imigração.

Os partidos alegam que a imigração "destrói o futuro dos espanhóis" ou que, em alguns anos, não haverá brancos no continente.

A resposta de uma organização de extrema esquerda, a Coordinadora Antifascista, foi convocar uma passeata para o sábado, em Madri, para mostrar seu repúdio à ideologia desses grupos.

A expectativa é de que o evento da Coordinadora coincida, por meia hora, com uma das manifestações da extrema direita, ocupando o mesmo lugar no centro da capital espanhola
 

 

 

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