Após perder prazo, Prefeito vai ao STF contra lei
sobre cobaias em Florianópolis
O prefeito de Florianópolis, Dário Berger (PMDB),
decidiu recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para
anular a lei que proíbe o uso de animais de laboratório
na cidade.
Segundo o secretário de Comunicação da cidade, Paulo
Roberto Arenhart, o prefeito ainda estuda quais
argumentos irá utilizar na Adin (Ação Direta de
Inconstitucionalidade), que pode ser impetrada no STF
ainda esta semana. Berger teria tomado essa decisão para
atender aos pedidos da comunidade científica.
Na sexta-feira, a Câmara Municipal promulgou o projeto
de lei que proíbe a utilização de qualquer animal em
pesquisas científicas em Florianópolis.
Isso porque o prefeito não cumpriu o prazo de 15 dias
úteis, previsto na lei orgânica do município, que tinha
para decidir se vetava ou sancionava o projeto aprovado
pelo Legislativo em 6 de novembro deste ano.
Para entrar em vigor, a lei precisa ser publicada no
Diário Oficial de Santa Catarina, o que deve acontecer
nos próximos 10 dias. A proibição em si passaria a valer
60 dias após essa publicação.
Arenhart negou que a perda do prazo tenha ocorrido em
razão da omissão do prefeito sobre o assunto ou a um
lapso de sua equipe de assessores. De acordo com
Arenhart, Berger havia pedido pareceres à Procuradoria
do município e à secretaria de Saúde e esperava esses
documentos para tomar uma decisão.
Ele inclusive teria pedido que a Câmara esperasse até
que os pareceres ficassem prontos, o que, segundo
Arenhart, não aconteceu. "O prefeito não se omitiu sobre
essa lei e havia pedido que a Câmara esperasse. Ele acha
que o assunto tem que ser melhor estudado e discutido",
afirma o secretário.
Caso a lei de fato entre em vigor do modo como foi
aprovada, ficaria proibido em Florianópolis o uso de
todos os animais com "finalidades pedagógicas,
industriais, comerciais ou de pesquisa científica".
A ação do prefeito pode criar uma crise política no
município, já que o autor da lei, o vereador Deglaber
Goulart (PMDB), é líder do governo na Câmara e tido como
amigo de Berger. Arenhart não descarta essa
possibilidade.
Debate
Após criar uma lei bastante sintética e abrangente --que
proibe não discrimina quais cobaias seriam proibidas--,
o vereador sinaliza que pode haver um abrandamento dos
termos.
Segundo ele, na regulamentação da lei, o uso de animais
classificados por ele como de "pequeno porte" --como
ratos e camundongos- podem não ser proibido. Essas duas
espécies representam 90% dos animais utilizados para
pesquisas na UFSC (Universidade Federal de Santa
Catarina).
"Na regulamentação podemos discriminar quais animais
seriam proibidos. Pode ser que pequenos animais sejam
liberados e proibamos apenas os maiores", afirma o
parlamentar.
A idéia é que seja criado um conselho entre a secretaria
de Saúde e os conselhos de ética animal das
universidades. Esse conselho iria estabelecer os limites
da proibição
Segundo ele, a decisão de fazer uma lei tão radical foi
tomada para "promover o debate". Questionado se o melhor
não seria ter discutido o assunto antes da promulgação
da lei, Goulart afirma que o assunto foi sim discutido
em audiência pública. De acordo com ele, os cientistas
não querem discutir o assunto.

Prefeito Dário Berger SC, a favor do sofrimento de
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