Cães de SP vivem em média apenas 3 anos, diz
pesquisa
Quanto tempo vive o melhor amigo do homem? Pelo senso
comum, cachorro idoso é o que conseguiu chegar perto dos
12 anos. No meio veterinário, há relatos sobre animais
que ultrapassaram a barreira dos 20. Em São Paulo,
porém, a média de vida dos cães é de três anos.
A idade foi apontada por um levantamento feito na região
metropolitana de São Paulo por pesquisadores de quatro
universidades (USP, Unip, Unicsul e Metodista) e
publicado na revista científica "Ciência Rural".
Eles não esperavam esse resultado. "Ficamos chocados.
Quase não acreditamos. Três anos... A idade é baixa
demais", diz o veterinário Henri Bentubo, um dos autores
do estudo.
Cães de Primeiro Mundo são bem mais longevos. Pesquisas
mostram que a sobrevivência média é de 9,9 anos nos EUA
e de 11 na Inglaterra.
Para o estudo brasileiro, os pesquisadores se debruçaram
sobre prontuários de clínicas veterinárias, canis
particulares e um hospital universitário. Também ouviram
pessoas que já tiveram cachorros. Coletaram informações
sobre 2.011 cães que perderam a vida entre 1995 e 2005.
Animais de rua não entraram nas contas.
Causa mortis
Houve, obviamente, animais que morreram com muito mais
de três anos e outros que morreram com menos. A média
foi puxada para baixo porque a principal causa de morte
(35,11% dos casos) foram as doenças infecciosas, que
afetam filhotes não-vacinados. As vítimas de infecção
morreram, em média, com um ano de vida.
"As pessoas, na maioria, não sabem da importância das
vacinas. Assim que adquirem o cachorro, querem sair para
mostrá-lo. As chances de pegar uma doença são muito
grandes. É preciso cuidar do filhotinho como se cuida do
bebê", diz a veterinária Maria Anete Lallo, que
participou do estudo.
Após as doenças infecciosas, apareceram os tumores
(13,28%) e os acidentes com traumatismo (13,08%).
Morreram de velhice só 5,57%.
O estudo derrubou o mito de que vira-latas são mais
resistentes --viveram tanto quanto os puros. Mas houve
diferença entre os Patologias. Os machos (com 2,4 anos em
média) morreram antes das fêmeas (4 anos). Eles
"abandonam suas residências em busca de acasalamentos",
afirma a pesquisa. Os castrados (9 anos) viveram mais
que os não-castrados (3 anos).