França vai fazer do Brasil uma potência militar, diz
"El País"
A "França vai transformar o Brasil em uma potência
militar", diz o título de uma reportagem publicada nesta
quarta-feira pelo diário espanhol "El País", sobre o
encontro do presidente Luís Inácio Lula da Silva com o
presidente francês Nicolas Sarkozy em São Jorge do
Oiapoque, na Guiana Francesa.
Segundo o jornal, o acordo de transferência militar
discutido na terça-feira (12) entre os dois presidentes
"aumentará a posição do gigante sul-americano como
potência militar regional".
"Lula tem claro uma coisa, com a transferência
tecnológica proporcionada pela França, o Brasil poderá
fabricar um submarino e aviões e helicópteros de
combate."
O El País ainda comenta a promessa de Sarkozy de apoiar
a entrada do Brasil no G-8 e no Conselho de Segurança da
ONU, destacando a cooperação bilateral.
O encontro também foi destaque na mídia francesa. Os
jornais ressaltaram o semblante fechado de Sarkozy, cuja
popularidade está em queda na França.
O "Liberátion" comenta o contraste entre o presidente
francês, de terno escuro, gravata negra e óculos escuros
sobre o nariz, com a imagem de Lula, de camisa de linho
branco, colarinho aberto e com chegada triunfante. "Na
Guiana, Lula atravessa o rio, e Sarkozy,
'dificuldades'", diz o jornal, em alusão ao fato de o
presidente brasileiro ter chegado ao encontro de barco.
O diário ainda comenta que o Brasil será o primeiro país
da América do Sul a possuir uma frota de submarinos
nucleares, graças à ajuda da França. "A cooperação
francesa neste projeto militar será 'recompensada' pelos
grandes contratos para a indústria francesa: venda de
helicópteros pela Eurocopter, submarinos Marlin pela
DCNS, etc. Ao risco de provocar uma nova proliferação
nuclear...".
Segundo o diário, a capacidade de ação dos submarinos é
impressionante e ele pode decidir um conflito sozinho.
O encontro também foi destaque na imprensa argentina.
Segundo o jornal "La Nación", "o acordo garantiria o
papel do Brasil como líder regional".
O "Página 12" comenta que o encontro se deu "no último
resquício do imperialismo europeu na América do Sul, a
Guiana Francesa".
"Não foi uma reunião tradicional. O encontro dos
mandatários não se realizou nem no Palácio do Eliseu, em
Paris, nem no Planalto, em Brasília. Em troca, elegeram
a inóspita selva amazônica e a pouco conhecida Guiana
Francesa, a última colônia que existe no subcontinente."
O jornal nota que Lula chegou com uma comissão muito
maior que a de Sarkozy que "não contou com a pessoa mais
esperada pela imprensa, a nova e midiática esposa do
presidente, Carla Bruni".
O "Página 12" ainda comenta que Sarkozy não parecia
confortável. "De terno e gravata escuros, o presidente
francês não pôde dissimular sua moléstia pelo calor e os
mosquitos. Seu par brasileiro, por outro lado, se
mostrou mais relaxado, com uma camisa branca e calças
claras. Seu humor não só se refletiu em seu constante
sorriso, mas também em suas piadas".