Brasil reafirma que não abre mão de gás da Bolívia
O porta-voz da Presidência da República, Marcelo
Baumbach, disse nesta quarta-feira que o Brasil não vai
aceitar abrir mão de parte do gás a que tem direito em
acordo firmado com a Bolívia para ajudar a Argentina,
país que enfrenta uma crise energética.
"O presidente Lula é sensível à necessidade argentina",
disse o porta-voz. "Em momentos críticos de falta de
energia na Argentina, o Brasil continuará se esforçando
para ajudar, sempre que for viável."
"Nas condições atuais, entretanto, o Brasil não pode
abrir mão do volume de fornecimento contratado",
acrescentou. "Eu saliento que o Brasil não pode se
desabastecer."
O assunto deve ser tratado por Lula em uma reunião com o
presidente boliviano, Evo Morales, e a presidente
argentina, Cristina Kirchner, marcada para o próximo
sábado, em Buenos Aires.
Negociação
Na semana passada, Morales disse que iria conversar com
Lula e Cristina para que, juntos, encontrassem uma
fórmula para distribuir o limitado gás boliviano aos
dois países.
"Na questão da energia, temos que atuar dentro da
complementaridade entre todos os governos da região",
afirmou.
A sugestão de que o Brasil abrisse mão de parte de seu
gás para ajudar a Argentina foi feita também na semana
passada pelo vice-presidente boliviano, Álvaro García
Linera, durante visita a Brasília.
Anteriormente, o presidente da Petrobras, José Sergio
Gabrielli, e o ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, já haviam dito que o Brasil não estava disposto
a abrir mão do gás importado da Bolívia.
A Bolívia é dona da segunda maior reserva da região, mas
a queda nos investimentos tem provocado queda na
produção do país.
O Brasil importa diariamente 30 milhões de metros
cúbicos de gás boliviano.
Segundo Baumbach, o presidente Lula não irá à Argentina
com uma proposta concreta de alternativa a oferecer a
argentinos e bolivianos.
"Por enquanto, não existe nenhuma proposta concreta,
existe apenas a disposição de dialogar e auxiliar a
Argentina", disse.