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PF prende dois secretários da Prefeitura de Campos (RJ) por fraude em licitações


LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio


A Polícia Federal prendeu hoje dois secretários da Prefeitura de Campos (RJ) numa operação contra fraude em licitações: José Luís Púglia (Obras) e Edílson de Oliveira Quintanilha (Desenvolvimento). Durante a operação foram realizadas buscas na casa do prefeito da cidade, Alexandre Mocaiber (PSB), e na do secretário de Fazenda, Carlos Edmundo Ribeiro. O esquema teria desviado R$ 240 milhões dos cofres públicos.

Ao todo, segundo a PF, foram presas 15 pessoas durante a operação Telhado de Vidro --nome de uma das empresas envolvidas no suposto esquema de fraude em licitações. Uma delas, o sub-comandante do Corpo de Bombeiros de Campos, o tenente-coronel Eduardo Ribeiro Neto, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma --a arma foi encontrada quando a polícia cumpria um mandado de busca e apreensão em sua casa.

Segundo a PF, o esquema consistia na fraude de licitações públicas para contratação de serviços terceirizados. Além dos secretários, também participavam do esquema entidades filantrópicas e órgãos públicos.

O superintendente da PF no Rio, Valdinho Caetano, disse que cerca de 20 mil funcionários terceirizados participavam do esquema sem saber. Eles eram contratados com salários superfaturados: a diferença entre o que a prefeitura pagava e o que eles recebiam era dividida entre os empresários e os secretários de Campos.

"A ação consistia na contratação irregular de milhares de funcionários para trabalhar na Prefeitura de Campos. O valor era superfaturado e o excedente era dividido entre essas pessoas", disse Caetano.

Segundo ele, há indícios de que o prefeito de Campos se beneficiava do esquema. "Ele [o prefeito] certamente sabia e ainda se beneficiava dele", afirmou o superintendente da PF.

Caetano afirmou que não havia mandado de prisão contra Mocaiber, somente de busca e apreensão. Os documentos apreendidos na casa do prefeito serão analisados pela Justiça.

Durante a operação foram apreendidos sete carros de luxo, R$ 100 mil em dinheiro, além de documentos. A PF também pediu para a Justiça o seqüestro de um avião de um dos empresários envolvidos no suposto esquema de fraude em licitações.

Caetano deu como exemplo de fraude a contratação de um serviço que custava R$ 40 mil, mas era contratado por R$ 70 mil. "O excedente era dividido entre os envolvidos", disse.

Entre os presos estão o procurador-geral do município de Campos, Alex Pereira Campos, o presidente da Cruz Vermelha Brasileira-Nova Iguaçu, José Renato Muniz Guimarães, o presidente da Fundação José Pelúcio Ferreira, Marco Antônio França Faria, entre outros. Todos eles serão indiciados por crime contra a ordem tributária, fraude em licitações e formação de quadrilha --com exceção do sub-comandante do Corpo de Bombeiros.
 

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