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Governo cobrará IOF de estrangeiros para frear o dólar

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou hoje medidas para conter a valorização do real e incentivar as exportações brasileiras. Foram três as ações: eliminação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incide sobre exportações; fim da obrigatoriedade para cobertura cambial dos exportadores; e cobrança de IOF para investidores estrangeiros. As medidas entram em vigor na próxima segunda-feira.

Mantega afirmou que a possibilidade de os exportadores não trazerem de volta os dólares obtidos com vendas no exterior deve ser uma medida a ser adotada aos poucos pelos empresários. Atualmente, os exportadores tinham que ingressar com 60% do valor do que era exportado em dólar no País. O ministro citou que se 10% do valor das exportações brasileiras não retornarem ao País, isto representaria cerca de US$ 17 milhões ao ano, com base no montante exportado em 2007.

"Não espero grande impacto (no câmbio), pois são medidas graduais. Nossa preocupação não é subir o câmbio, mas estancar o processo de valorização do real", disse o ministro.

A incidência do IOF sobre aplicações estrangeiras vale para renda fixa e aplicações em papéis do governo. Mantega explicou que estes investidores pagarão 1,5% de IOF sobre o valor da aplicação. O imposto não incidirá sobre investimentos na bolsa; IPOs; empréstimos estrangeiros pedidos por empresas brasileiras; investimentos diretos; operações de derivativo e renda variável; e derivativos com índices de ações.

Especificamente sobre a nova regra para investidores estrangeiros, Mantega disse que ela irá desestimular aplicações de curto prazo.

Segundo Mantega, só o fim da cobrança do IOF para os exportadores significará uma renúncia fiscal de R$ 2,2 bilhões anual. Já a incidência do imposto sobre algumas aplicações de estrangeiros pode trazer uma arrecadação de R$ 600 milhões, caso o volume de investimentos nessas modalidades repitam os R$ 40 bilhões do ano passado.

"Não são medidas de caráter arrecadatório, mas, regulatório".

Pela manhã, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, havia negado a criação de um pacote cambial, mas admitiu o estudo de medidas para conter a queda da moeda americana.

"Temos discutido medidas pontuais de ajuste na área cambial, mas não posso informar se elas têm o condão de deter a valorização do real frente ao dólar. Temos feito isso, e não é um pacote, não tem nada de extraordinário que os agentes econômicos já não tenham conhecimento", afirmou Paulo Bernardo.

Redação Terra
 

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