Brasil vive efeito destrutivo dos biocombustíveis,
diz Time
BRUNO GARCEZ
Brasil, em Washington
A mais recente edição da revista Time afirma, em
reportagem que ilustra a sua capa, que o Brasil oferece
um exemplo "vívido da dinâmica destrutiva dos
biocombustíveis".

A reportagem, intitulada "O Mito da Energia Limpa",
afirma que políticos e grandes empresas estimulam
bicombustíveis como alternativas ao petróleo, mas isso
está provocando uma alta do preço de alimentos,
intensificando o aquecimento global e fazendo o
contribuinte pagar a conta.
A reportagem afirma que o desmatamento na Amazônia está
sendo acelerado por uma "fonte improvável: os
biocombustíveis".
De acordo com o texto, "uma explosão da demanda por
combustíveis agrícolas tem provocado uma alta recorde do
preço mundial de colheitas, o que tem causado uma
expansão dramática da agricultura brasileira, que está
invadindo a Amazônia em um ritmo alarmante."
A reportagem diz que apenas uma pequena fração da
floresta vem sendo usada para o plantio da
cana-de-açúcar que gera o etanol brasileiro, mas
acrescenta que o desmatamento resulta de uma "reação em
cadeia tão vasta que chega a ser sutil."
Efeito em cadeia
Esse efeito em cadeia, de acordo com a Time, tem início
nos Estados Unidos, com o cultivo do milho usado para a
fabricação da versão americana do etanol.
Segundo a revista, os fazendeiros americanos estão
destinando um quinto do milho que cultivam para a
produção de etanol, o que obriga os produtores de soja
dos Estados Unidos a trocarem sua colheita tradicional
pela do milho.
Essa transição vem fazendo com que fazendeiros de soja
no Brasil expandam seus terrenos de cultivo, tomando
áreas antes destinadas a pastos de gado. E obrigando
produtores de gado a levarem suas fazendas para a
Amazônia.
O artigo afirma que "é injusto pedir a países em
desenvolvimento que deixem de desenvolver regiões sem
dar qualquer compensação."
Mas acrescenta que, mesmo com incentivos financeiros
suficientes para manter a Amazônia intacta, os elevados
preços de commodities estimulariam o desmatamento em
outras partes do mundo.