Etanol é ameaça ao cerrado, afirma relatório da
ONU
Um relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Programa
de Meio Ambiente da ONU afirma que o cultivo de lavouras
para a produção de etanol representa uma ameaça à
biodiversidade do cerrado brasileiro.
Segundo o relatório Panorama do Meio Ambiente Global, "o
Brasil espera dobrar a produção de etanol, um
biocombustível ''moderno'', nas próximas duas décadas".
"Para produzir matéria-prima vegetal suficiente para
alcançar esses objetivos, a área cultivada está
crescendo rapidamente", acrescenta o documento. "O
crescimento das fazendas coloca em risco regiões
ecológicas inteiras, como o cerrado." Em outra parte do
documento, a ONU diz que "com o possível aumento da
exportação de etanol de países como o Brasil para a
Europa, os Estados Unidos e o Japão, está aumentando a
preocupação quanto à sustentabilidade de uma produção de
biomassa em larga escala".
De acordo com o relatório, esse temor se deve
principalmente "ao fato de a terra disponível, além das
reservas de biodiversidade, ter que ser dividida para
diversos usos, como a produção de alimentos e de
vegetais para a produção de energia".
O relatório, de 572 páginas, traça um cenário abrangente
das mudanças no meio ambiente desde 1987 e detalha
problemas que afetam a água, a atmosfera, a terra e a
biodiversidade da Terra.
A situação do Brasil é destaque em vários pontos do
relatório, que analisa o programa de biocombustíveis do
país, as mudanças no uso da terra nos últimos anos e o
gerenciamento sustentável de florestas.
Embora destaque como aspecto positivo a exploração
sustentável da floresta por pequenos proprietários de
terra da Amazônia, usado como "parâmetro para políticas
de desenvolvimento e financiamento de iniciativas
semelhantes de gerenciamento de recursos naturais", o
relatório diz que o Brasil ainda enfrenta o problema do
desmatamento.
"Cerca de 66% da perda global de florestas, entre 2000 e
2005, ocorreu na América Latina, região que possui 23%
da cobertura mundial", diz o documento. "A América do
Sul sofreu a maior devastação líquida (quase 43 mil km²/ano),
da qual 73% ocorreu no Brasil." "O desflorestamento na
região é responsável por cerca de 48,3% das emissões
globais de CO2 relacionadas ao uso da terra, com quase
metade disso vindo do desflorestamento no Brasil,
particularmente na Bacia Amazônica", acrescenta o texto.
O relatório da ONU também destaca o problema da
degradação da terra no Brasil e aponta situações
"preocupantes" no sudeste do país e nos pampas.
O cultivo extensivo de certas lavouras também é citado
com uma ameaça à diversidade do planeta. Um exemplo
usado pelo relatório do programa de Meio Ambiente da ONU
é o aumento das áreas destinadas ao plantio de soja no
Brasil.