Exposição na França mostra os "animais do futuro"
DANIELA FERNANDES
Brasil, em Paris
Uma exposição na França, batizada de Animais do Futuro,
tenta mostrar como será a fauna do planeta daqui a
milhões de anos, com base em trabalhos científicos e
projeções que levam em conta questões como as mudanças
climáticas e os movimentos das placas terrestres.

Tortunossauro está entre
os "animais do futuro" previstos pela exposição; mostra
foi produzida com base em trabalhos científicos
Em uma espécie de safári virtual, os visitantes do
parque temático Futuroscope, em Poitiers (centro-oeste
da França), têm a chance de conhecer animais como o "baboukari",
descendente do macaco uacari de cara vermelha, da
Amazônia, que apareceria em 5 milhões de anos com a
transformação da floresta tropical em uma savana seca,
na projeção virtual dos cientistas.
The Future is Wild Limited/Divulgação
Tortunossauro está entre os "animais do futuro"
previstos pela exposição; mostra foi produzida com base
em trabalhos científicos
Sentados em um veículo que os transporta pela exposição,
os visitantes utilizam binóculos com câmeras integradas
que filmam o cenário observado. Um computador insere os
animais virtuais em terceira dimensão às imagens do
ambiente observado.
Os visitantes também utilizam braceletes com sensores
que permitem interagir com os animais do futuro.
A posição exata de cada visitante é calculada pelo
sistema de localização integrada ao veículo, o que
permite que cada um tenha seu próprio campo de visão e
possa "se comunicar" de forma autônoma com as imagens de
animais que aparecem no filme.
Dessa forma, os visitantes podem descobrir as futuras
paisagens da Terra e a evolução dos animais em 5
milhões, 100 milhões e até 200 milhões de anos.
Eles percorrem estepes áridas e frias, uma floresta
tropical, fundos marinhos e uma espécie de pântano.
Adaptação
O ambiente e os animais representados nessa exposição
são fruto de uma teoria desenvolvida por cientistas
britânicos a partir da evolução dos movimentos
geológicos da Terra, do clima e da capacidade de
resistência da fauna, que mudaria para se adaptar ao
novo ambiente.
Dessa forma, os macacos uacari, ao darem origem aos "baboukari",
desceriam das árvores da Amazônia, que não existiriam
mais, para viver no solo. Eles não usariam mais sua
cauda para se balançar entre os galhos e sim para se
comunicar entre eles em meio à alta vegetação.
Um outro animal do futuro seria o "tortunossauro", que
evoluiria a partir da tartaruga gigante. Esse réptil, em
100 milhões de anos, seria o maior animal terrestre, com
sete metros de altura.
Maior do que um dinossauro, seu peso, de 120 toneladas,
seria 40 vezes maior do que o de um elefante. Sem temer
nenhum predador, perderia a maior parte de sua carapaça.
Comparação
Em outro espaço da exposição, concebido pela cientista
Christiane Denys, professora de zoologia do Museu
Francês de História Natural, os animais do futuro são
comparados aos de hoje e aos do passado para dar um
panorama sobre a evolução das espécies.
A tecnologia da "realidade ampliada", que permite ver os
animais da exposição, está sendo utilizada pela primeira
vez na área do divertimento.
Ela já é empregada no campo da medicina, para cirurgias,
na aeronáutica, na arquitetura e no setor do turismo.