Região do Jalapão ameaçada por soja é rica em
vertebrados
EDUARDO GERAQUE
Na queda-de-braço entre a conservação da biodiversidade
do cerrado e o avanço das monoculturas, o resultado de
uma expedição científica feita no Jalapão (TO) dá novos
argumentos aos defensores da fauna e da flora.

A viagem pela estação ecológica Serra Geral do Tocantins
catalogou 14 novas espécies de vertebrados. São oito de
peixes, três de répteis --incluindo um lagarto sem
patas--, uma de anfíbio, uma de mamífero e uma de ave.
Os cientistas também mostraram que alguns grupos
zoológicos só existem naquela região do país.
"Isso ocorre com os peixes. Em números de espécies,
podemos dizer que a área é até pobre, mas os
representantes desse grupo estão praticamente restritos
ao local", explica o biólogo Cristiano Nogueira, da ONG
CI (Conservação Internacional).

Ele é um dos 26 pesquisadores que estiveram na Serra
Geral no início do ano. Cientistas de instituições como
a USP (Universidade de São Paulo) e a Universidade
Federal do Tocantins também participaram da expedição
científica, financiada pela Fundação O Boticário.
Ao todo, existem na estação 440 espécies de vertebrados
já identificadas pelos pesquisadores. "Temos agora um
conhecimento relevante da região. A estação está ainda
bem preservada, mas isso não significa que não existam
ameaças no local", afirma Nogueira.
Segundo o biólogo, um dos problemas é a soja. "A estação
pega os Estados do Tocantins e da Bahia. E, neste
último, já existe uma pressão feita pela monocultura."