Após derrota em referendo, Morales pede diálogo
O presidente da Bolívia, Evo Morales, voltou a pedir,
nesta segunda-feira, a reabertura do diálogo com os
prefeitos (equivalentes a governadores) do país.
O pedido de Morales foi feito através de declarações do
seu porta-voz, Ivan Canelas, um dia depois que, segundo
os primeiros dados oficiais, 84,27%% dos eleitores
votaram a favor da autonomia do departamento (estado) de
Santa Cruz, o mais rico do país, em relação ao governo
central.
"O governo só está esperando um chamado dos prefeitos
para que possamos marcar hora e local desta reunião",
disse Canelas.
Nesta segunda-feira, os principais jornais da Bolívia,
como El Mundo e El Dia, publicaram anúncio pago de
Morales, dizendo que convoca os prefeitos a "trabalhar
por uma verdadeira autonomia" e, ao mesmo tempo,
agradece aos que "resistiram a uma consulta ilegal e
inconstitucional".
"Enganação"
Até a tarde desta segunda-feira, não havia notícias de
que os prefeitos tenham aceitado nova convocação de
Morales - a segunda em menos de 24 horas.
No domingo, quando questionado sobre a proposta de
Morales, o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas,
respondeu: "Queremos diálogo também, mas não enganação".
Costas insistiu ainda que ele e outros prefeitos
pretendem conversar com Morales somente depois dos
próximos três referendos, marcados nos departamentos de
Beni, Pando e Tarija, até 22 de junho.
Após o resultado do referendo de domingo, que contou com
mais de 30% de abstenção, Costas está sendo definido
como uma das principais vozes da oposição ao governo
Morales.
Preocupação
Nesta segunda-feira, o prefeito (governador) de
Cochabamba, Manfred Reyes Villa, disse que aceitaria o
diálogo com Morales, mas com condições.
"Não vemos disposição para que ele ouça nossos projetos,
mas sim que defenda os dele", disse Reyes.
Reyes governa um departamento onde Morales registra
forte apoio popular, diferente do que ocorre em Santa
Cruz.
O impasse tem gerado preocupação em diferentes setores.
O advogado constitucionalista Carlos Alarcón disse ao
jornal "La Razón" que neste caminho de "desencontros"
pode levar a um "cenário de maior violência" na Bolívia.