Pesquisadores apontam aumento na intensidade de
ciclones
da France Presse, em Paris
Os especialistas em climatologia permanecem divididos
sobre as ligações entre aquecimento global e a
incidência de ciclones --cujo número se mantém estável
mas, com intensidade maior, como mostram os danos
provocados pelo Nargis em Mianmar.

"Temos em média 80 tempestades tropicais ou ciclones a
cada ano no mundo e não observamos qualquer aumento
deste número", declarou Frédéric Nathan, da agência
Meteo-France. No norte do Oceano Índico, estes fenômenos
são registrados em média cinco vezes por ano,
acrescentou.
"Porém, temos constatado nos últimos 30 anos um aumento
do número de ciclones de categorias 4 e 5 acompanhados
de ventos de mais de 200 km/h", prosseguiu Nathan.
De acordo com o Instituto de tecnologia de Georgia, em
Atlanta, os ciclones de categorias 4 e 5 foram
praticamente multiplicados por dois entre os anos 70 e
os anos 1990-2004, passando de 50 a 90. O professor
Kerry Emmanuel, do MIT (Massachusetts Institute of
Technology), também afirmou que a potência dos ciclones
tropicais foi quase multiplicada por dois desde os anos
50.
Segundo o último relatório do IPCC (Painel
Intergovernamental para Mudanças Climáticas) publicado
em 2007, "pode-se esperar não um maior número de
ciclones, mas ciclones de maior intensidade", frisou
Hervé Le Treut, diretor de pesquisa no Centro Nacional
de Pesquisa Científica francês (CNRS).
Entretanto, o pesquisador faz uma ressalva, destacando
que os estudos sobre os quais se baseiam estas
observações são mais numerosos no Atlântico do que no
oceano Índico.
"Só poderemos afirmar isso no longo prazo. O clima é
subordinado a leis estatísticas definidas nos últimos 30
anos, aproximadamente. Não temos sistemas de observação
e gravações completas ou perfeitas sobre todos os
oceanos do mundo e carecemos de informações precisas
sobre o que aconteceu antes da era do satélite",
explicou.
A comunidade científica segue muito dividida. "O
problema é que os dados que temos sobre os 30 últimos
anos não são confiáveis o suficiente para que possamos
deduzir uma tendência local", concordou Adam Lea, do
Benfield University College de Londres. "Continua sendo
muito difícil prever o futuro", afirmou.