Para ONGs, China reagiu melhor do que Mianmar a
desastre
MARINA WNTZEL
em Hong Kong
Organizações não-governamentais internacionais que
trabalham com situações de desastre afirmam que o
governo da China tem recebido com cooperação os esforços
de ajuda às vitimas do terremoto de 7,8 graus que
atingiu o país.
Na avaliação das ONGs, a atitude das autoridades
chinesas contrasta com a postura do governo de Mianmar,
que tem dificultado o acesso de funcionários de
organizações internacionais às áreas atingidas pelo
ciclone Nargis.
Segundo Kevin Chiu, diretor executivo da ONG World
Vision em Hong Kong, a resposta do Exército de
Libertação Popular foi "excelente" em comparação à
observada no país vizinho.
"Os oficiais emprestaram celulares via satélite para a
nossa equipe e nos deram carona", contou Chiu. "Há uma
clara cooperação."
Lam Kwok Choi, porta-voz da ONG Oxfam na Ásia, disse à
BBC Brasil que as equipes da organização se dirigiram
para as áreas mais afetadas e que o governo em nenhum
momento dificultou o acesso dos profissionais.
"A China tem cada vez mais desempenhado um papel aberto
nessas situações de emergência", avalia Choi. De acordo
com o porta-voz da Oxfam, o país fez um avanço
significativo, mesmo em relação a situações recentes.
Em janeiro, fortes nevascas obstruíram as linhas
ferroviárias do país, deixando milhares de chineses
ilhados nas estações durante o feriadão de ano novo
lunar.
Na ocasião, o governo sofreu forte criticas por não ter
respondido com agilidade e por dificultar o acesso da
imprensa a informações sobre o problema. "Dessa vez (no
terremoto), eles foram rápidos", afirma Chiu.
Resgate
Até o momento, o governo já enviou mais de 5 mil homens
à província de Sichuan --a mais atingida pelo
terremoto-- e, até o final desta terça-feira, a
expectativa é de que pelo menos 35 mil cheguem para
auxiliar.
Recursos e tropas saídos de Pequim, Jinan, Kaifeng,
Wuhan e Chongqing estão sendo enviados para Chengdu,
capital de Sichuan, onde uma central de resgate foi
montada.
De lá, o auxílio é transportado para os vilarejos mais
atingidos, como Mianyang, Beichuan, Wenchuan e
Dujiangyan.
Segundo dados da agência estatal Xinhua, a China já
alocou US$ 100 milhões para o trabalho de resgate
imediato.
Cerca de 720 profissionais de saúde foram mandados a
Chengdu para tratar das vítimas e 200 estão de
sobreaviso para viajar a qualquer momento.
A prioridade, após resgatar e cuidar dos sobreviventes,
é garantir abrigo para os que saíram ilesos e estão
vivendo nas ruas porque há risco de que muitas
construções venham a desabar. O governo disponibilizou
60,6 mil barracas para essas pessoas.
Ajuda independente
Organizações internacionais enviaram equipes
independentes às áreas atingidas pelo terremoto e estão
trabalhando em coordenação com o Exército da China.
A Cruz Vermelha se concentra em prover auxílio médico
imediato aos sobreviventes e conseguiu arrecadar, até o
momento, o equivalente a mais de R$ 107 mil em doações
somente em Hong Kong.
Equipes de especialistas em operações de auxílio
humanitário da World Vision já estão no local dando
apoio aos sobreviventes. A organização distribuiu 2 mil
cobertores e cem tendas às vitimas em Sichuan.
A Oxfam reservou o equivalente a cerca de R$ 2,5 milhões
para a campanha de ajuda, e funcionários da organização
deverão chegar às áreas mais atingidas dentro das
próximas 24 horas.
As equipes da organização Médicos Sem Fronteiras estão a
caminho da região afetada.