Ministério Público denuncia 18 pessoas por fraude no
leite em Minas
da Folha Online
O Ministério Público Federal em Uberaba (MG) denunciou
nesta segunda-feira 18 pessoas por crime contra a saúde
pública e por formação de quadrilha, que foram
investigadas na Operação Ouro Branco que, em outubro do
ano passado, por envolvimento em um esquema de fraude no
leite praticado, supostamente praticado por duas
cooperativas mineiras -- a Copervale (Cooperativa dos
Produtores de Leite do Vale do Rio Grande), com sede em
Uberaba, e a Casmil (Cooperativa Agropecuária do
Sudoeste Mineiro), sediada em Passos.
A denúncia oferecida hoje encerra o inquérito policial
que tramitou na 1ª Vara da Justiça Federal em Uberaba.
Na denúncia, a Procuradoria relata, com detalhes, todo o
esquema de adulteração do leite ocorrido na Copervale e
que consistia na adição ao produto de substâncias
nocivas à saúde e capazes de reduzir seu valor
nutricional.
De acordo com a Procuradoria, a fraude vinha ocorrendo
há aproximadamente dois anos. O leite chegava dos
produtores rurais e, durante o beneficiamento, uma
solução química, composta por soda cáustica, ácido
cítrico, citrato de sódio, sal, açúcar e água era
adicionada ao produto para aumentar seu volume e o prazo
de validade.
"A fórmula química, desenvolvida pelo denunciado Pedro
Renato Borges, era adicionada ao leite cru na proporção
de 8% a 10% e permitia, a um só tempo, aumento do volume
e do prazo de validade do leite, na medida em que, com a
adição de todas as substâncias, além de diminuir a
respectiva acidez, mantinha-se inalterada a densidade e
o ponto de congelamento do produto, sem que o exame
constatasse a quantidade de água inserida no leite",
relata a denúncia.
Segundo os depoimentos prestados durante o inquérito, a
cooperativa beneficiava por dia 120 mil litros de leite,
mas a fraude era realizada somente no leite longa vida
integral.
Foram denunciados o diretor-presidente da Copervale,
Luiz Gualberto Ribeiro Ferreira, que foi quem determinou
a adição da solução química, com o objetivo de auferir
maior lucratividade com a venda do produto; Borges, o
engenheiro químico que criou a fórmula; o fiscal
agropecuário federal Afonso Antônio da Silva, que era
conivente com o esquema; o gerente industrial da
Copervale responsável por supervisionar o processo de
adulteração, Romes Monteiro da Fonseca Júnior, além de
todos os funcionários da cooperativa que tinham
conhecimento da fraude e participavam da adulteração.
Para a maioria desses funcionários, o Ministério
Público, pediu a aplicação dos benefícios da delação
premiada, pela colaboração para o esclarecimento dos
fatos. Já os demais acusados, caso a Justiça receba a
denúncia, serão processados por crimes com penas que,
somadas, podem chegar a 11 anos de prisão.
Casmil
O inquérito policial que investiga a fraude supostamente
realizada pela Casmil, de Passos, ainda está em
andamento. A Procuradoria aguarda as conclusões das
investigações e o relatório da autoridade policial o
oferecimento de denúncia.