Exposição de fontes de radiação nuclear por tremor
preocupam China
Quinze fontes de radiação nuclear permanecem
inacessíveis e podem ter sido expostas pelo terremoto na
Província chinesa de Sichuan. O país enfrenta agora,
além do risco do aparecimento de epidemias, um "desafio
temerário" de prevenir uma contaminação radioativa do
ambiente nas proximidades de Sichuan --epicentro do
tremor-- afirmou nesta sexta-feira um representante do
governo.
Ao tratar do assunto, o vice-ministro para a proteção
ambiental da China, Wu Xiaoqing, não especificou que
tipo de radiação contém as fontes.
Michael Reynols /Efe

Membros das tropas de resgate caminham sobre escombros
de prédios em Sichuan
Especialistas estrangeiros disseram que as fontes de
radiação geralmente se referem a materiais usados em
hospitais, fábricas ou em pesquisas, mas não em armas.
Wu assegurou a repórteres que não houve por enquanto
vazamento de substâncias radioativas ao meio ambiente.
O vice-ministro afirmou que 50 fontes de radiação foram
soterradas por detritos na região do terremoto, mas que
35 delas já foram localizadas e estão sem risco de
vazaram. As 15 restantes, porém, permanecem soterradas
abaixo de prédios que desabaram.
Em Sichuan há mais de uma centena de empresas químicas e
petroquímicas. Segundo Wu, a maioria delas foi obrigada
a parar de produzir até que se tenha certeza de que não
há risco de contaminação ambiental.
"Temos que supervisionar as empresas para ter certeza de
que há controle na poluição das águas o mais rápido
possível".
Até agora, nenhum dano ambiental foi relatado.
"Enfrentamos agora o desafio temerário de cavar e
remover os 'problemas' soterrados e fazer a inspeção
ambiental", disse Wu.
ONU
Já a porta-voz do Escritório de Cooperação de
Assistência Humanitária das Nações Unidas (Ocha, em
inglês), Elisabeth Byrs, disse nesta sexta-feira que "as
instalações nucleares e fontes radioativas com fins
civis são seguras e estão sob controle".
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visitará no
sábado Yingxiu, epicentro do terremoto de Sichuan
(sudoeste de China), anunciou nesta sexta-feira o
ministério chinês da Relações Exteriores.
"Amanhã (sábado) pela manhã Ban Ki-moon irá a Yingxiu",
afirmou uma fonte do ministério à agência France Presse.
Vítimas
Os mortos no terremoto de 7,9 graus na escala Richter
que atingiu a China há 11 dias já passam de 55 mil.
Segundo o governo chinês, a reconstrução de edifícios e
estradas deve levar cerca de três anos.
O número oficial de mortos é de 55.740, além dos 24.960
desaparecidos, de acordo com informações do governo.
Cerca de 300 mil pessoas também ficaram feridas devido
ao tremor.
As regiões mais devastadas pelo terremoto são ameaçadas
ainda pela formação de 34 lagos por causa dos
deslizamentos de terra, oito deles a ponto de
transbordar com o início da temporada de chuvas.
Há também o risco de uma invasão de ratos, que podem
transmitir doenças contagiosas entre os sobreviventes.
Além disso, a ONU informou que a represa de Bikou, em
Sichuan, "se movimentou 30 centímetros" por causa do
terremoto e tornou-se "uma ameaça potencial para os
moradores da região".
Jogos olímpicos
Os chineses aguardavam ansiosamente o ano de 2008 por
causa da realização dos Jogos Olímpicos de Pequim, em
agosto, que representariam sua apresentação ao mundo
como uma sociedade aberta e moderna.
Mas o ano começou "triste" para os chineses: foram
registradas as piores nevascas em 50 anos em janeiro,
ocorreram os protestos no Tibete em março e agora em
maio o país enfrenta o pior terremoto registrado nas
últimas décadas.
Com Agências Internacionais