Procuradoria investiga denúncia de delegado sobre
obstrução na Satiagraha
O Ministério Público Federal em São Paulo abriu
procedimento administrativo nesta sexta-feira para
apurar se as investigações da Operação Satiagraha, da
Polícia Federal, sofreram obstrução. O procedimento foi
instaurado a pedido dos procuradores da República
República Anamara Osório Silva e Rodrigo de Grandis com
base em representação feita pelo delegado Protógenes
Queiroz, que deve encerrar hoje o relatório da operação.
Segundo a Procuradoria, Protógenes diz na representação
que foi afastado das investigações e reclamou,
principalmente, da falta de recursos humanos e materiais
para a condução da investigação.
O procedimento administrativo foi distribuído ao
procurador Roberto Antonio Dassié Diana, coordenador do
grupo de controle externo do Ministério Público Federal
em São Paulo.
Segundo a PF, Protógenes deixou o caso para realizar um
curso obrigatório para todos os delegados que já têm
pelo menos dez anos de serviço o delegado foi
"convidado" pela direção geral da PF a se afastar das
investigações por causa de supostos excessos cometidos
durante a operação.
Para comprovar que Protógenes não foi forçado a se
afastar das investigações, a PF divulgou ontem trechos
da reunião realizada na segunda-feira (14) em São Paulo
na qual foi definida a sua saída.
Interlocutores informaram que o acerto para a divulgação
dos trechos foi feito ontem pela manhã, quando o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o ministro
Tarso Genro (Justiça) e o diretor-geral em exercício da
PF, Romero Menezes, numa reunião no Palácio do Planalto.
No entanto, foram necessárias algumas horas para que a
PF pudesse selecionar os trechos que deveriam ser
divulgados à imprensa.
Oficialmente, a justificativa para a necessidade de
haver uma seleção dos trechos é porque a reunião durou
cerca de três horas e tratou de uma série de temas
-inclusive alguns considerados sigilosos pelo governo.
Porém, os trechos que interessam para divulgação são os
que dizem respeito diretamente ao fato de Protógenes dar
a entender que quer deixar as investigações e que
pretende fazer um curso de reciclagem na academia de
polícia.
Em nota, a Procuradoria informa que, no início da
semana, o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF,
Roberto Troncon, já havia se comprometido a entregar a
íntegra da gravação. Para a Procuradoria, a gravação
será um dos elementos que poderão ser usados para
instruir a investigação.