Nariz pode farejar perigo no ar, dizem cientistas
Da próxima vez que alguém disser que fareja perigo no
ar, é possível que isso seja literalmente verdade - e,
aliás, que o odor esteja vindo de você. Na ponta dos
narizes dos mamíferos, seres humanos incluídos, fica um
grupo de células nervosas conhecido como gânglio de
Grüneberg, em homenagem a Hans Grüneberg, o cientista
que descobriu essa estrutura, em camundongos, no ano de
1973.
Grüneberg acreditava que se tratasse apenas de um
terminal nervoso. Apenas nos últimos anos, depois que
cientistas desenvolveram variedades de camundongos que
brilham em tom verde à luz de lâmpadas fluorescentes,
foi possível deduzir que os gânglios de Grüneberg são
parte integrante do sistema olfativo. Mas eles não
sabiam o que o gânglio farejava.
Na edição de 22 de agosto da revista Science,
pesquisadores da Universidade de Lausanne, na Suíça,
reportaram ter descoberto a finalidade do complexo, ao
menos no que tange aos ratos fluorescentes.
Toda espécie de organismo, incluindo plantas, insetos e
mamíferos, libera feromônios de alarme quando percebe
perigo; os feromônios flutuam pelo ar e servem para
advertir a outros organismos.
Pouco se conhece sobre os feromônios de alarme dos
mamíferos, a não ser que eles existem. Os cientistas
ainda não identificaram os compostos; não sabem em que
parte do corpo os feromônios são produzidos. Mesmo
assim, os pesquisadores de Lausanne conseguiram recolher
os feromônios por meio do expediente de causar estresse
aos ratos de laboratório e sugar o ar em torno deles.
Quando outros ratos, normais, foram expostos ao ar que
continha o cheiro de alerta, eles imediatamente
suspenderam seu movimento. Mas no caso de ratos cujos
gânglio de Grüneberg haviam sido extirpados, eles não
perceberam ameaça alguma e continuaram a percorrer suas
gaiolas, completamente despreocupados.