Coréia do Norte pede retirada de lacres de reator
A Coréia do Norte pediu aos inspetores da Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA) que retirem os
lacres e equipamentos de vigilância da instalação de
Yongbyon, que seria desmantelada, para retomar testes de
reprocessamento de urânio, material que serve para
fabricar bombas atômicas.
Assim informou nesta segunda, em Viena, o diretor-geral
da agência nuclear, Mohamed ElBaradei, ao início de uma
reunião do Conselho de Governadores do organismo
internacional.
Os inspetores da AIEA "observaram que alguns
equipamentos, previamente eliminados pela Coréia do
Norte durante o processo de desmantelamento, foram
reinstalados (em Yongbyon)", disse o diretor-geral, de
acordo com a versão escrita de seu discurso ao Conselho.
Em todo caso, as autoridades norte-coreanas asseguraram
aos inspetores da AIEA que os testes serão realizados
sem o uso de materiais nucleares, disse ElBaradei.
Segundo ElBaradei, "isto não mudou o status de
desmantelamento das instalações em Yongbyon".
Apesar da solicitação de eliminar os lacres, o
diretor-geral expressou sua esperança de que "sejam
criadas as condições para que a Coréia do Norte volte ao
Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) o mais rápido
possível".
O regime de Pyongyang tinha abandonado o TNP em janeiro
de 2003, após expulsar os últimos dois inspetores da
AIEA que supervisionavam as instalações de Yongbyon.
Em seguida, a Coréia do Norte impulsionou seu programa
nuclear militar, que chegou a um ponto crítico quando,
em outubro de 2006, realizou um teste nuclear
subterrâneo.
Mas, dentro das negociações de multilaterais com Estados
Unidos, Rússia, China, Coréia do Sul e Japão, o regime
comunista aceitou finalmente desmantelar seu programa
nuclear, em troca de ajudas comerciais.
No entanto, diante da recusa de Washington em retirar a
Coréia do Norte de sua lista de países terroristas,
Pyongyang anunciou recentemente sua decisão de reiniciar
seu programa nuclear.