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Os pterossauros voavam mal com vento
forte
Estudo publicado na revista Biological Letters nesta
quarta-feira indica que os pterossauros, os primeiros e
maiores vertebrados com capacidade de voar conhecidos,
se adaptaram muito bem às brisas tropicais, mas caíam em
caso de tempestade forte.

Os biólogos especializados na evolução estudam há muito
tempo as capacidades aerodinâmicas dessas criaturas
gigantes, que viveram na Terra ao mesmo tempo em que os
dinossauros durante a era mesozoica (de 220 a 65 milhões
de anos). Alguns cientistas mencionaram, inclusive, a
hipótese de que os pterossauros, entre eles o mais
conhecido, o pterodáctilo ("dedo voador" em grego
antigo), simplesmente não podiam voar.
Com sua envergadura que podia alcançar os 12 metros e
pesando cerca de 200 kg, decolar não devia ser coisa
fácil para os pterossauros. Colin Palmer, engenheiro e
paleontólogo da Universidade de Bristol, na Inglaterra,
demonstrou, no entanto, através de experimentos com
vento artificial, que esses animais pré-históricos na
realidade se adaptaram muito bem a certos tipos voo.
Com base no estudo de fósseis, Palmer criou modelos de
asas de pterossauro com resina e fibra de vidro de
carbono. Depois, inspirando-se em experiências
realizadas com pás de hélices e cascos de veleiros,
testou a resistência e a aerodinâmica destas asas num
túnel de vento, como qualquer engenheiro aeronáutico
testando a asa de um avião. Segundo ele, os pterossauros
se adaptaram a um voo tranquilo, transportado pelas
correntes cálidas ascendentes, principalmente nas
ladeiras de colinas e nas zonas costeiras.
Este voo lento e de geometria variável também lhes
permitia pousar suavemente, reduzindo o risco de quebrar
os ossos, relativamente frágeis, ao tocar o solo. "Os
ossos dos pterossauros eram ocos e, portanto, muito
vulneráveis em caso de choque, porque uma baixa
velocidade na aterrissagem era um elemento importante
para evitar lesões", indica Palmer.
Suas experiências também mostraram, no entanto, que o
menor vento de tempestade certamente precipitava essas
criaturas ao solo. "Em contrapartida, os pterossauros
sofriam de uma alta vulnerabilidade a ventos fortes e
turbulências, tanto em voo como em terra, como os
planadores modernos", resume o pesquisador.
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