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Ascensão de China e Índia prejudica outros emergentes, diz OIT
Um documento elaborado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) afirma
que o crescimento econômico chinês e indiano diminui as perspectivas de melhoria
econômica para os outros países em desenvolvimento.
O estudo, ainda em versão preliminar, diz que "a ascensão da Índia e da China
está tendo um impacto profundo no processo de globalização".
"Para já, reduziu as perspectivas de desenvolvimento dos outros países em
desenvolvimento, mas, analisando o futuro, espera-se que surjam resultados
positivos", acrescenta o relatório.
Em outro trecho, o documento também indica que "apesar do elevado crescimento
econômico registrado nos dois países asiáticos, o fosso entre os rendimentos
Norte-Sul aumentou".
O documento, intitulado O combate por uma globalização justa nos últimos três
anos, foi compilado pelo Instituto Internacional de Estudo do Trabalho, ligado à
OIT, e distribuído durante o Fórum por uma Globalização Justa, realizado em
Lisboa.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que foi à capital portuguesa participar da
reunião, reconheceu que a China tem uma vantagem competitiva em relação aos
produtos brasileiros, mas afirmou que essa vantagem deve acabar já na próxima
década.
"A China está lutando com as condições que tem para garantir a melhoria de vida
da sua população", disse Lupi. "Mas os direitos dos trabalhadores começarão
inexoravelmente a ser exigidos e, com isso, a competitividade dela não será tão
forte como ela é hoje. Já está acontecendo isso em vários setores."
Nair Goulart, vice-presidente da Força Sindical, disse que a vantagem chinesa
representa um "dumping" social e uma "concorrência desleal".
"Na China, os direitos fundamentais dos trabalhadores não são cumpridos, eles
têm salários menores e a gente nem sabe o número de acidentes de trabalho que
eles têm", afirmou. "Eles acabam barateando os produtos nos nossos mercados."
"No Brasil, na última década, a indústria têxtil e a de brinquedos foi
praticamente eliminada por causa dos produtos chineses", acrescentou Nair.
Outro participante da reunião em Lisboa foi João Felício, ex-presidente da CUT e
atual responsável pelas relações internacionais da entidade.
Felício disse apostar na mobilização dos trabalhadores chineses para diminuir a
competitividade dos produtos fabricados no país.
"A esperança nossa é que haja luta sindical no país, para eles elevarem o poder
de compra e que haja uma proteção social", afirmou.
Em junho, a China aprovou uma nova lei de contratos trabalhistas com o objetivo
de ampliar a proteção aos trabalhadores e punir empregadores que cometem abusos.
A lei, que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro do ano que vem, recebeu
críticas de empresas européias e americanas, preocupadas com o encarecimento da
mão-de-obra e dos custos de produção na China.
Algumas companhias disseram que terão que transferir suas fábricas para outros
países da Ásia. Mas a pressão dos empresários teve repercussão negativa na
China.
Em artigo no jornal estatal China Daily, um representante da União Sindical
Chinesa, o sindicato único do país, disse que as empresas estrangeiras que
"dependem de mão-de-obra barata para obter lucro violando direitos dos
trabalhadores devem ser finalmente banidas".
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