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Crise de crédito pode retirar do mercado US$ 2 tri, diz Goldman Sachs
A crise de crédito nos EUA atualmente em curso,
causada pelo agravamento da situação de inadimplência no segmento de hipotecas
de risco, pode retirar do sistema de empréstimos do país --entre bancos, fundos
de investimentos e outras entidades-- cerca de US$ 2 trilhões, segundo o
economista do banco americano de investimentos Goldman Sachs, Jan Hatzius.
"Estimativas das perdas prováveis com hipotecas a receber aumentaram de modo
expressivo nos últimos meses. Um cálculo rápido, usando a experiência passada em
diferentes ambientes de preços, sugere perdas ao redor de US$ 400 bilhões",
explica Hatzius. O economista destaca, no entanto, que os bancos e outras
instituições concessoras de crédito, se vissem uma perda que chegasse a metade
dessa estimativa, reagiriam de modo agressivo.
"Se os investidores virem uma perda de US$ 200 bilhões desses US$ 400 bilhões,
eles podem reduzir seus empréstimos em US$ 2 trilhões. Esse é um choque enorme.
Corresponde a 7% da dívida total nas mãos dos setores não-financeiros dos EUA
(domicílios, empresas fora do setor financeiro e do governo)", diz Hatzius, em
um comunicado.
"Nossa conclusão é de que as perdas prováveis com a crise das hipotecas colocam
um risco macroeconômico significativamente maior que o geralmente admitido."
Segundo Hatzius, mesmo se o ajuste ocorrer de modo gradual, acompanhado de uma
redução na demanda por crédito e do aumento dos empréstimos por outros setores,
"o golpe sobre a atividade econômica pode ser substancial".
O economista diz que alguns fatores podem diminuir o impacto da crise, tais como
encorajamento, por parte das autoridades reguladoras, para que as instituições
de crédito continuem a emprestar.
O mercado imobiliário dos EUA entrou em uma fase de desaquecimento que se tornou
perceptível a partir do ano passado, depois que o aumento na taxa de juros do
Federal Reserve (Fed, o BC americano) passou a afetar as taxas das hipotecas
--incluindo as do segmento de maior risco (chamado de "subprime"). Esse segmento
foi um dos que mais cresceu, em vista da alta liquidez (volume de dinheiro)
disponível nos últimos anos no mercado.
A atual situação de crise se agravou em agosto, com a notícia de que o banco
francês BNP Paribas, havia congelado o saque de três de seus fundos de
investimentos que tinham recursos aplicados em créditos gerados a partir de
operações hipotecárias nos EUA, alegando incerteza sobre o tamanho do prejuízo.
Essa incerteza fez com que o crédito ficasse mais escasso --quem possui recursos
sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não
encontra quem forneça.
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