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Governistas apostam em 50 votos favoráveis à prorrogação da CPMF


Senadores da base aliada do governo calculam que vão reunir 50 votos favoráveis à prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até a próxima quinta-feira --quando a matéria pode entrar na pauta de votações da Casa-- para garantir a manutenção do "imposto do cheque".

A Folha Online apurou que a estratégia do Palácio do Planalto será concentrar o foco em três senadores governistas que ainda são dúvidas na prorrogação da CPMF: César Borges (PR-BA), Romeu Tuma (PTB-SP) e Expedito Júnior (PR-RO).

Os governistas também apostam na adesão do senador José Nery (PSOL-PA) e dos peemedebistas Pedro Simon (RS) e Geraldo Mesquita (AC) à prorrogação da CPMF, além dos demais aliados que já teriam fechado questão favoravelmente à matéria. Se todos os seis senadores votarem a favor da CPMF, o governo terá os 50 votos necessários para aprová-la --um a mais que o mínimo previsto pela Constituição.

Nas previsões otimistas do governo, somente os senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mão Santa (PMDB-PI) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) são votos da base aliada certamente contrários à manutenção do "imposto do cheque". "Se o PSOL vier, aí só ficam de fora o Jarbas, o Mão Santa e o Mozarildo dos senadores da base aliada, já que a base reúne 53 senadores", disse o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO).

O líder avalia que, até quinta-feira, haverá tempo para o governo conquistar os 49 votos necessários para a prorrogação da CPMF. "Não acho que está ganho, mas creio que até quinta-feira da semana que vem temos muito tempo. Se não se resolver até quinta, também não se resolve depois", avaliou o líder.

Estratégia

Nos próximos dias, o Palácio do Planalto vai intensificar o diálogo com os senadores governistas em busca de votos pró-CPMF. Alguns dos possíveis "dissidentes" da base aliada esperam respostas às suas demandas para decidirem como votarão na prorrogação do "imposto do cheque".

A Folha Online apurou que o senador Expedito Júnior, por exemplo, espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresente o compromisso de renegociar a dívida do Beron (Banco do Estado de Rondônia), acumulada em cerca de R$ 900 milhões.

Tuma e Borges, por sua vez, ainda estão em dúvida porque temem punições do DEM --já que os dois parlamentares deixaram o partido há pouco mais de um mês.

Os dois senadores teriam firmado uma espécie de acordo velado com o DEM para votarem contra a prorrogação da CPMF. Em contrapartida, a legenda desistiria de recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para ter de volta os mandatos dos dois parlamentares.

Os peemedebistas esperam que, nos próximos dias, tanto o presidente Lula quanto o ministro José Múcio (Relações Institucionais) entrem em campo para dialogar diretamente com os senadores em busca de votos. O ministro jantou nesta quarta-feira com 12 senadores da bancada do PMDB no Senado para afinar o discurso em torno da prorrogação da CPMF.

Os senadores peemedebistas não esconderam a insatisfação com a falta de articulação do governo para atender às demandas do partido --considerado peça fundamental para a prorrogação da CPMF no Senado. Mas firmaram o compromisso de aderir em massa na votação pró-CPMF, com as esperadas dissidências de Jarbas e Simon.

Oposição

A Folha Online apurou que o governo não descarta conquistar votos do PSDB pela prorrogação da CPMF, mesmo com a certeza do partido de que os 13 senadores tucanos votarão contra a manutenção do "imposto do cheque".

O Planalto espera que os quatro governadores da legenda --Cássio Cunha Lima (PB), Aécio Neves (MG), José Serra (SP) e Yeda Crusius (RS)-- entrem em campo nos próximos dias para sensibilizar parlamentares da legenda pela CPMF.

Os governistas não descartam que ao menos três tucanos votem favoravelmente à CPMF --Lúcia Vânia (GO), Cícero Lucena (PB) e Eduardo Azeredo (MG)--, apesar de todos negarem essa possibilidade. Senadores da base aliada acreditam que a promessa de corte de gastos do governo poderá sensibilizar parte dos tucanos pela prorrogação da CPMF, aliada à pressão dos governadores favoráveis à manutenção do "imposto do cheque".

 


 

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