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União Européia adota medidas contra carne brasileira a partir de 2008
A União Européia adotou nesta quarta-feira (19)
medidas de restrição às importações de carne brasileira, que passam a valer em
31 de janeiro de 2008. Segundo anúncio feito em Bruxelas por meio de comunicado,
a UE está preocupada com o respeito das exigências sanitárias do mercado
europeu. A ampliação das restrições foi antecipada pela Folha.
Em 16 de outubro passado, a União Européia deu um prazo até o fim do ano para o
Brasil se adequar às exigências sanitárias européias, após denúncias de
deputados irlandeses e britânicos.
Os problemas, que envolvem a certificação e o rastreamento de origem do gado
brasileiro, foram detectados nas inspeções sanitárias feitas pela missão da UE
que esteve no Brasil em novembro. Sem a garantia de rastreabilidade, não pode
ser assegurado que a carne enviada à Europa não provém de áreas onde a venda
para o bloco é proibida.
"Apesar dos vários alertas feitos pela comissão após as inspeções realizadas, as
autoridades brasileiras fracassaram em adotar medidas apropriadas para corrigir
os problemas e atender às exigências européias", afirmou a UE em comunicado.
Assim, a comissão afirmou acreditar "ser necessário aumentar as restrições sobre
a importação da carne brasileira para que seja mantido um alto nível de proteção
da saúde animal" no bloco.
O governo brasileiro e os produtores do país negam as acusações e dizem que o
Brasil vem implementando as recomendações dos inspetores europeus que estiveram
no país em março.
Em entrevista recente à Folha, a porta-voz do comissário europeu de Saúde, Nina
Papadoulaki, deixou claro que não se trata de um embargo total ao produto
brasileiro, como defendem pecuaristas e políticos de alguns países do bloco,
principalmente ingleses e irlandeses.
Outras proibições
A UE aplica desde 2005 um embargo à carne de três Estados brasileiros (São
Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul) devido a um foco de febre aftosa.
As exportações de carne bovina do Brasil somaram US$ 4,5 bilhões em 2007, 15% a
mais do que no ano passado, segundo dados divulgados segunda-feira passada pela
Abiec (Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne).
O maior comprador da carne brasileira foi justamente a Rússia (que em novembro
suspendeu embargo à importação do produto), com 27% do total, seguida do Egito,
que consumiu 12%. A UE é responsável por 38,5% de toda exportação de carne
brasileira, um volume que em 2006 correspondeu a US$ 1,5 bilhão.
Com US$ 4,5 bilhões, o complexo de carne brasileiro (carnes bovina, avícola,
suína e outras) se transformou o segundo do agronegócio, depois do complexo de
soja, a integrar o seleto grupo de setores que exportam mais de US$ 10 bilhões
durante 12 meses. Em 2006, o Brasil exportou um total de US$ 3,9 bilhões.
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