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Preço da cesta básica sobe mais que salário mínimo em 2007, aponta Dieese


da Folha Online

A alta do custo da cesta básica em 2007 superou em todas as capitais do país o reajuste do salário mínimo concedido em abril do ano passado, de 8,57%. Segundo pesquisa nacional do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o custo da cesta oscilou entre 11,46%, em Curitiba, e 24,38%, em Aracaju.
 


A alta dos preços dos alimentos --vilão da inflação em 2007-- determinou o comportamento do custo da cesta básica, informou o Dieese. O feijão foi o produto que mais subiu no ano passado nas 16 cidades que integram o estudo, com destaque para o chamado "feijão de cores", cujo aumento de preço superou 200%. O produto atingiu as maiores variações em Natal (222,84%), Fortaleza (214,25%) e Goiânia (199,04%).

"O fator climático foi o responsável por este comportamento, pois a terceira safra, colhida normalmente por volta de julho e agosto, foi praticamente perdida devido à forte seca", explicou o Dieese. A notícia que segue, no entanto, é positiva: "A partir desta colheita [entre dezembro e fevereiro], porém o preço deve cair uma vez que os altos preços incentivaram o crescimento do plantio."

No acumulado em 2007, além da capital de Sergipe, também apresentaram elevações superiores a 20% as cidades de Goiânia (24,21%) e Belém (20,90%). Brasília (12,44%), Florianópolis (13,18%), Rio (13,46%) e Porto Alegre (14,33%) ficaram abaixo dos 15% de variação.

Em dezembro, apenas a cidade do Rio teve variação negativa (-0,24%) da cesta básica --15 capitais tiveram aumento de preços, com o maior deles em Goiânia, de 12,73%.

O maior custo para o conjunto de produtos da cesta foi apurado em São Paulo (R$ 214,63), que se manteve, pelo segundo mês consecutivo, como a capital com a cesta mais cara. Porto Alegre (R$ 212,92) e Belo Horizonte (R$ 204,80) ocupam a segunda e terceira posição, respectivamente. João Pessoa (R$ 155,09) e Recife (R$ 155,41) apresentaram os menores.

Ideal

Segundo o Dieese, o salário mínimo necessário para suprir as despesas de uma família (com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência) seria, em dezembro, de R$ 1.803,11.

A quantia apontada é 4,75 vezes o valor do salário mínimo e quase R$ 80 a mais que o apurado em novembro, de R$ 1.726,24 (que correspondia então a 4,54 vezes o mínimo em vigor, de R$ 380).

Segundo o Dieese, a elevação dos preços dos produtos essenciais, verificada, em especial, ao longo do segundo semestre de 2007, fez com que, em dezembro, o trabalhador que ganha salário mínimo precisasse cumprir 106 horas e 09 minutos para comprar uma cesta básica.

Esta jornada é a segunda maior registrada em 2007, mas em patamar muito semelhante ao verificado em março, quando chegou a 106 horas e 36 minutos. Em relação a novembro, são quase 5 horas a mais, uma vez que naquele mês, o trabalhador de salário mínimo precisava cumprir 101 horas e 11 minutos para adquirir os mesmos itens.

Na comparação com dezembro de 2006, o aumento é bem superior, pois o tempo de trabalho necessário correspondia, então, a 98 horas e 12 minutos. Ao longo do ano, o menor comprometimento ocorreu em junho (91 horas e 33 minutos).

São Paulo

Apesar da alta do preço da cesta básica de São Paulo, de 17,9%, no ano passado, o trabalhador paulistano que ganha salário mínimo precisou cumprir jornada de 114 horas e 17 minutos na média do ano para comprar os produtos essenciais. Conforme o Dieese, a jornada é a menor desde 1971, correspondendo a 51,95% de seu rendimento médio.

"Tal resultado deriva do processo de valorização do salário mínimo, associado ao fato de, ao longo do ano, a jornada mensal haver apresentado sensível redução em vários meses do ano", explica o departamento.

Em dezembro de 2007, em conseqüência de alta de 4,45%, em relação a novembro, o custo da cesta básica, na capital paulista, chegou a R$ 214,63, o maior valor apurado em qualquer das cidades pesquisadas durante todo ano. Apenas em Porto Alegre, o preço dos gêneros essenciais aproximou-se deste patamar em outubro último (R$ 213,97), e a gora em dezembro (R$ 212,92).

 


 

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