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Falta de chuvas pode elevar conta de luz para consumidor


A conta da escassez de chuvas será paga pelo consumidor de energia elétrica. De acordo com representantes do setor elétrico ouvidos pela Folha Online, a conta de luz do consumidor poderá subir já que, com o nível dos reservatórios usados para gerar energia elétrica baixos, o governo acionou termelétricas, que produzem energia mais cara.

"No reajuste isso entrará como despesa das distribuidoras e será repassado para o consumidor", afirmou o presidente do Conselho Administrativo da Anace (Associação Nacional dos Consumidores de Energia), Lindolfo Paixão.

Para a diretora-executiva da ABCE (Associação Brasileira das Concessionárias de Energia Elétrica), Silvia Calou, ainda não é possível calcular qual será o impacto na conta. Todas as distribuidoras têm a tarifa reajustada anualmente pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que, além do custo da energia, leva em consideração outros dados ao definir a tarifa, como eficiência, inflação e taxa de juros.

Para Calou, o efeito da falta de chuvas nesse início de ano só deverá ser sentido pelos consumidores cuja distribuidora terá a tarifa reajustada a partir do meio do ano. É o caso da Eletropaulo, que passará por processo de reajuste em julho.

"Quem vai pagar o óleo diesel das térmicas é o consumidor brasileiro", completa o presidente da Abrage (Associação Brasileira de Empresas Geradoras de Energia Elétrica), Flávio Neiva.

Mercado livre

Neiva ressalta, porém, que quem pagará mais caro pela escassez de energia são os grandes consumidores do mercado livre, como indústrias, shoppings e supermercados.

Esses consumidores optaram por não comprar energia das distribuidoras, que têm o preço regulado pela Aneel. Eles compram energia diretamente das geradoras, e estão sujeitos às oscilações de preço do mercado.

"O impacto maior está no mercado livre. Por enquanto, as distribuidoras estão em uma situação confortável", acredita Calou.

Racionamento de gás

Os reservatórios das usinas hidrelétricas em níveis baixos e o fantasma de apagão rondando o setor elétrico também fazem os especialistas acreditarem que o consumidor terá que enfrentar, primeiro, um racionamento de gás natural.

Representantes do setor disseram que, caso o volume de chuvas continue abaixo do esperado, a primeira medida a ser tomada pelo governo será direcionar o gás que está sendo hoje usado nas indústrias e nos carros para o setor elétrico. Assim, as termelétricas poderiam gerar mais energia elétrica.

 


 

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