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Reservatórios no Sudeste estão abaixo do nível de segurança


CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio


O nível dos reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste está 0,5 p.p (ponto percentual) abaixo do nível mínimo de segurança estabelecido pela Curva de Aversão ao Risco, segundo o Informativo Preliminar Diário da Operação da última quinta-feira, divulgado hoje pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). O documento indica que os reservatórios da região estão com 44,8% de sua capacidade preenchida, diante de um nível mínimo de 45,3% estabelecido para esta época do ano.

Com isso, o ONS poderá pedir para que mais térmicas da região --tipo de energia mais caras e poluente que a gerada por hidrelétricas-- sejam ligadas para poupar o nível dos resevatórios. Outra solução que poderá ser aplicada é o aumento da transferência de energia da região Sul para o sistema Sudeste/Centro-Oeste. Os reservatórios do Sul estão com 69,1% da capacidade ocupada, e o nível mínimo exigido é de 19,8% nessa parte do ano.

O baixo nível dos reservatórios, ocasionado pela falta de chuvas, fez com que o governo optasse pelo uso de usinas termelétricas para evitar o uso dos reservatórios. Recentemente, foi definido que serão acionadas usinas térmicas movidas a óleo no Sul e no Sudeste, que darão um incremento de 800 MW à geração do sistema.

Em tese, quando o nível de risco dos reservatórios é atingido, o governo determina o acionamento das termelétricas. Com mais energia termelétrica produzida, as hidrelétricas são poupadas e o esvaziamento dos reservatórios é contido. O governo, no entanto, já havia tomado a providência de colocar em funcionamento a maioria das termelétricas e restam poucas usinas para acionar.

A opção pelo uso das térmicas movidas a óleo está ligada à falta de gás natural para o acionamento de todas as unidades que operam com esse combustível. O uso de óleo combustível poderá implicar em tarifas mais caras para o consumidor, já que a utilização deste tipo de insumo tem um custo mais alto do que o do gás. Ontem, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) decidiu repassar o gás usado hoje nas refinarias da Petrobras para termelétricas, para aumentar a geração de energia elétrica.

Na quinta-feira, as térmicas do sistema Sudeste/Centro-Oeste tinham previsão de despacho de 4.078 MW, mas geraram um pouco abaixo do previsto, totalizando 3.820 MW gerados. A usina Norte Fluminense, por exemplo, gerou um pouco abaixo do previsto em boa parte do dia devido à indisponibilidade de gás.

No Nordeste, o nível dos reservatórios também está baixo, com 27,1% do total da capacidade preenchida. O nível mínimo de segurança exigido, no entanto, é de 10% nessa época do ano. mesmo assim, o governo decidiu ligar as térmicas da região para preservar os reservatórios.

Apesar do aumento das chuvas na última semana, o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, disse ontem que as termelétricas a óleo deverão continuar ligadas em fevereiro, para garantir a segurança do setor. Além disso, as usinas a gás, que são mais baratas, deverão funcionar durante todo o ano para poupar os reservatórios das hidrelétricas para o ano que vem.

Leilão

Outra medida confirmada nesta quinta pelo governo são leilões de energia para contratar usinas térmicas que funcionarão como uma espécie de reserva para o setor elétrico. Elas só entrarão em operação em caso de escassez de chuvas ou problemas nas outras usinas --a regulamentação da contratação de energia de reserva foi publicada hoje no "Diário Oficial".

Nelson Hubner, porém, explica que a regulamentação já estava prevista e não tem relação com a crise provocada pela falta de chuvas. O ministro explicou que a conta para a contratação de usinas de reserva será repartida com todos os consumidores do país.

Nos últimos dias, diante da falta de chuvas, levantou-se a possibilidade de um novo apagão de energia elétrica ou mesmo um racionamento neste e no próximo ano. O ministro, porém, negou o risco.





 


 

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