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Após "prever" crise, Roubini espera "ano duro" para emergentes
O economista Nouriel Roubini, professor da New York University e um dos
primeiros analistas econômicos a prever uma crise no mercado de crédito
imobiliário americano, afirmou nesta quarta-feira que os países emergentes não
terão como escapar de "um ano duro" pela frente.
Durante a sessão de abertura do Fórum Econômico Mundial, que começou nesta
quarta-feira em Davos, na Suíça, Roubini acrescentou que os países "com os
melhores fundamentos econômicos vão se sair melhor (na crise) do que os que têm
piores fundamentos".
Para o economista, o bom momento verificado pelos países emergentes nos últimos
anos não foi somente uma conseqüência das políticas econômicas adotadas por
eles, mas também da sorte pelo bom momento da economia mundial.
Roubini fez as declarações ao ser questionado se adotaria a mesma postura que o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou estar tranqüilo e não ver uma
ameaça ao Brasil em conseqüência da crise, apesar de dizer que está acompanhando
de perto seus desdobramentos.
Desaceleração
Outro importante analista, Stephen Roach, economista-chefe do banco de
investimentos americano Morgan Stanley na Ásia, reforçou a avaliação de que o
Brasil e os demais países emergentes não terão como escapar dos impactos que uma
possível recessão nos Estados Unidos pode ter sobre a economia global.
Roach, que também alertou para o risco de uma recessão americana antes da
confirmação da crise de crédito imobiliário nos Estados Unidos, afirmou estar
otimista sobre o potencial de crescimento dos países emergentes neste ano,
principalmente China e Índia.
O analista, no entanto, advertiu que somente esse crescimento pode não ser capaz
de compensar a desaceleração americana em termos globais.
Segundo Roach, a noção de que a economia dos países emergentes pode se desgrudar
e se tornar independente da dos países ricos pode se mostrar "uma fantasia".
O ministro indiano para o Comércio e a Indústria, Kamal Nath, também presente na
abertura do fórum, em uma mesa de discussões sobre o panorama da economia global
para 2008, também disse acreditar ser impossível para os países emergentes
ficarem totalmente imunes a uma recessão americana.
Para Nath, porém, o impacto da crise americana poderá "não ser o que já foi no
passado".
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