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Recessão nos EUA não afetará preço médio do petróleo, diz Gabrielli
Uma eventual recessão econômica nos Estados Unidos não deve provocar uma queda
acentuada no preço do petróleo, na avaliação do presidente da Petrobras, José
Sérgio Gabrielli, para quem o valor médio do barril no mercado internacional
deve se manter entre US$ 75 e US$ 85 nos próximos dois anos.
Para ele, porém, a volatilidade das cotações deve permanecer alta, com novos
picos de até US$ 100 e baixas até US$ 70. Gabrielli fez a previsão durante
entrevista nesta sexta-feira após participar de um painel de debates no Fórum
Econômico Mundial, em Davos.
Depois de ultrapassar a marca dos US$ 100 pela primeira vez na história, no
início do ano, a cotação do barril vem caindo nos últimos dias, em grande parte
por conta dos temores de uma desaceleração econômica nos Estados Unidos, que
poderia levar a uma queda no consumo.
No auge das turbulências nos mercados financeiros mundiais, no início da semana,
a cotação do barril chegou a cair a US$ 87, mas voltou a "[ultrapassar a casa
dos US$ 90]':http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u367008.shtml
nesta sexta-feira, após o anúncio do pacote econômico nos Estados Unidos.
Para o presidente da Petrobras, alguns elementos atuais nas características da
produção de petróleo devem impedir uma queda acentuada das cotações, mesmo se os
Estados Unidos reduzirem suas importações do produto.
Segundo ele, o custo de produção do petróleo em poços novos é mais alto do que
nos poços já estabelecidos.
Além disso, em sua avaliação, a crescente demanda por petróleo na Índia e na
China não deve ser afetada de maneira significativa por uma crise americana.
Outro componente citado por Gabrielli é a pressão sobre a cotação pelos
investimentos em contratos futuros de petróleo, que apostam na valorização a
longo prazo.
"Poderá haver muita elasticidade no preço, mas isso não deve afetar a média dos
preços pelos próximos dois anos", afirmou.
Ranking
Durante a entrevista, Gabrielli também comentou a mudança que sentiu na recepção
que teve neste ano em Davos, após a Petrobras ter sido apontada no início desta
semana como a 6ª maior empresa de petróleo do mundo pelo ranking da empresa de
consultoria PFC Energy.
Ele disse que nos anos anteriores "passava sufoco" para convencer os
participantes do evento que a Petrobras tinha saúde financeira e o risco
controlado.
"Hoje em dia é diferente, como mostrou nossa última captação de recursos, no
começo do ano, de US$ 700 milhões a uma taxa de juros de 5,38%, a menor taxa que
a Petrobras já conseguiu", disse Gabrielli, que afirmou ter sido muito mais
abordado e cumprimentado pelos corredores em Davos neste ano do que nos três
encontros anteriores a que compareceu.
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